sábado, 19 de março de 2011

Resumo sobre Revoluções no Ocidente

Revolução?

Ato ou efeito de revolver (-se) ou revolucionar(-se); revolvimento. 2. Mudança violenta nas instituições políticas de uma nação. 3. Perturbação moral; indignação, agitação. 4. Transformação natural da superfície do globo. 5. Rotação em torno de um eixo imóvel. 6. Volta, rotação, giro. 7. Perturbação, agitação. 8. Desvio no modo de considerar assuntos relativos a um ramo qualquer do pensamento humano.

Revoluções do mundo Ocidental

  • Renascimento, Humanismo e Iluminismo (Sec. XVI – XVIII)
  • Revolução Inglesa (Séc XVII)
  • Revolução Industrial (Séc. XVIII – XIX)
  • Revolução Norte Americana (1775-1783)
  • Revolução Francesa (1789)
  • Revolução Russa (1917)
  • Revolução Cubana (1959)

Renascimento, Humanismo e Iluminismo (Sec. XVI – XVIII)

  • Inicio da ascensão da burguesia.
  • Renascimento, novos meios de ver a natureza, redescobrimento das artes antigas(greco-romana). Desenvolvimento da química, matemática e astronomia.
  • Humanismo aponta o homem como o centro do universo, possuidor do livre-arbítrio. Valorização da razão.
  • Iluminismo a partir do sec. XVII pregava a secularização do conhecimento, utilização da razão para explicar os fenômenos vividos pelo homem, ideal de progresso e contrapõem os valores da tradição.

Revolução Inglesa (Séc XVII)

  • Mercantilismo: A riqueza de uma Nação é medida pela quantidade de metais preciosos que consegue manter dentro de suas fronteiras.
  • Carta Magna(1215), dentro do séc. XIII é criada o parlamento, formada pelo clero, nobreza e burguesia, as principais decições deviam passar pelo parlamento e possuiam o poder de destituir o rei.
  • Evolução política diferenciada desde a Baixa Idade Média. – Rei manteve poder de grande senhor feudal; Dinastia Tudor: Henrique VIII e Elizabete I – absolutismo favorecido pela Reforma.
  • Transformações econômicas beneficiavam a monarquia mas reforçavam as classes sociais capitalistas que ao fim irão questionar o absolutismo.
  • Morte de Elizabete (1603)– última dos Tudor – sobe ao trono Jaime I, iniciador da dinastia Stuart. Diferente dos Tudor procuravam sustentar seu poder na teoria do direito divino = conseguir a unidade religiosa.
  • Buscavam a ampliação dos recursos financeiros = aumento de impostos – o que contraditava com princípios do século XIII, reforçados com o individualismo econômico e religioso. Desde o governo de Jaime I os ânimos se acirravam, mas foi no de Carlos IV que tudo explodiu. Por discórdias sobre a guerra com a França, o rei dissolveu o Parlamento (11 anos sem atuar).
  • Governo de Cromewll, apos decapitação do Rei Carlos I em 1649, de 1653 até sua morte em 1658 com um governo ditatorial. Seu filho Ricardo assumiu, mas governou por 2 anos, 1660 restauraram o regime monárquico com um novo parlamento.
  • O Rei Carlos II(1660-1685) e após dele Jaime II(1685-1688) tentaram restabelecer o poder da monarquia, o parlamento reagiu e entregou o reinado ao Guilherme de Orange, esposo de Maria II filha de Jaime II, Guilherme assumiu com Guilherme III e jurou a Declaração dos Direitos(1689) formando uma monarquia constitucional.

Revolução Industrial (Séc. XVIII – XIX)

  • Iniciaria com a grandiosa expansão comercial marítima Britânica para o mundo, exploração dos mercados coloniais
  • Utilização de maquinários para a produção como maquinas a vapor rudimentares.
  • Expansão comercial marítima
  • Produção com objetivo de lucro, acumulo de capital.
  • Expansão urbana, trabalho assalariado.
  • Investimento em infra estrutura de transporte

Revolução Norte Americana? (1775-1783)

  • Revolução ou Guerra de Independência? as estruturas de poder colonial permaneceram, assim não podemos chamar de revolução, os colonos que detinham o poder nas 13 colônias permanecem e ampliam esse poder.
  • 1720- Carta ao rei informando os abusos ocorridos na colônia.
  • Primeiro ministro Grenville(1763) cria exercito permanente para defesa e controle das colônias, inicia a aplicação dos impostos alfandegários (1764 - Lei do açúcar).
  • Falta de representação no Parlamento
  • 1765 – lei do Selo, imposto sobre documentação oficial, foi revogada após o congresso em nova York que reafirmava a lealdade ao rei.
  • 1767 – Carlos Townshend, chanceler do tesouro Britanico aplicou o Revenue Act(lei da receita), taxas sobre o chá, papel, tinta, vidro e outras manufaturas.
  • Os norte-americanos reivindicavam sua próprias assembléias.
  • 1768 – Agressões a funcionários da alfândegalevaram Boston recebe navios e tropas de guerra para estabelecer o controle dos impostos alfandegários,.
  • 1770 – em Março 5 bostonianos foram mortos pelos tropas britânicas (o massacre de Boston).
  • 1774 – George Washington lamenta as medidas britânicas: “A crise é chegada”, escreveu ele, “em que devemos afirmar nossos direitos, ou submeter-nos a todas as imposições que podem cair sobre nós, até que o costume e o habito façam de nós escravos dóceis e abjetos, como os negros sobre os quais imperamos com tão arbitrária autoridade.”
  • 1774 – o Porto de Boston foi fechado até se restabelecer a disciplina, foram proibidas as reuniões publicas nas cidades.
  • 1779 – 4 de julho é declarada a Independência dos E.U.A.
  • 1789 – Constituição é Aplicada, criado o cargo de presidente.

Revolução Francesa (1789)

  • Fim do estado absolutista / fim da monarquia
  • Separação do estado e da Igreja
  • Educação Laica
  • A França se encontrava em uma situação atípica na produção com muita seca, altos níveis de pobreza e impostos.
  • Em Agosto de 1789 a assembléia aprovou os direitos do homem e do cidadão (Déclaration des droits de l’homme et du citoyen).
  • A população saqueava os bens do clero e dos nobres pelo pais.
  • Entre 1791 a 1793 os camponeses realizaram muitos levantes contra a nobreza por ocasião dos direitos sobre a terra que os camponeses não conseguiam pagar.
  • 14 de julho de 1789 cai a Bastilha, castelo-prisão foi destruída pela população.
  • 1790 transformaram o clero em funcionários do estado.
  • A França declararia a Republica em 21 de setembro de 1792, sua política ficou dividida em cordeliers(independentes), fevillants , girondinos(maioria e representantes da alta burguesia), jacobinos liderados por Robespierre (representantes da pequena e media burguesia).
  • Até 1794 a frança mergulharia em um governo do terror, até um dos maiores lideres, Robespierre ser condenado a guilhotina. Inicia novo período de disputas nas eleições entre os partidos.
  • 1798 os jacobinos voltam a vencer as eleições.
  • 1799 a pedido dos girondinos Napoleão sai do Egito rumo a França para instalar um governo Autoritário e de política expansionista apoiado pela alta burguesia.

Revolução Russa (1917)

  • Maior parte da população formada por camponeses
  • Nobreza governa com mão de ferro.
  • Pequena burguesia da industria de Algodão.
  • Governo controla os principais meios da infra estrutura.
  • Expansão para a Ásia, derrotas para o Japão nas colônias asiáticas.
  • 1905 organização dos Sovietes pelos trabalhadores das fábricas e o massacre de manifestantes que solicitavam melhor condições de trabalho.
  • Criada a Duma(parlamento), mas acabou sendo somente figurativo.
  • Os Russos possuíam a experiência das comunas com a camada camponesa.
  • 1914 a 1917 as perdas territoriais para a Alemanha na 1º Guerra Mundial enfraqueciam a governabilidade do Governo monárquico.
  • Lênin voltaria antes do inicio da primeira guerra mundial como uma figura de forte influencia política com a população, se fortaleceria após a união com Trotsky líder militar e político.

Revolução Cubana (1959)

  • Baixa representação política pela população
  • Ditadura de direita - Fulgêncio Batista
  • Sob julgo do Governo Norte Americano
  • Exploração Norte americana por meio das empresas Estadunidenses como United Fruit , Shell, Exxon e Texaco.
  • Revolta popular e militar por lideranças de Fidel Castro e Ernesto Guevara.
  • Criação de cooperativas e distribuição de terra.
  • Bloqueio comercial por parte dos Estados Unidos e de todos os outros governos da América(com exceção do Chile até o inicio da ditadura chilena com Pinochet)
  • Aproximação com a União Soviética e Implantação de um regime Comunista ditatorial.

Revolução Cubana

Ao fim da década de 50, Cuba encontrava-se em um regime ditatorial sob comando de Fulgêncio Batista que era grande aliado do governo dos Estados Unidos da América, o governo Cubano além de corrupto criava facilitações aos trustes Norte Americanos. Em 1956 o exército rebelde promoveu a expedição do Granma que acabou por implantar um centro de atividades guerrilheiras em Sierra Maestra, durante o ano de 1957 os revolucionários tiveram varias batalhas que os consolidaram politicamente e militarmente.

Durante as incursões vitoriosas do exercito revolucionário as terras do território libertado eram desapropriadas e distribuíam para os camponeses, além da distribuição das terras aplicavam assistência técnica para a agricultura, educação e saúde. Nos anos entre 1958 e 1959 iniciava o programa de reformas com confiscos de propriedades de Batista e de seus aliados Norte Americanos, distribuição de terras de forma individual ou formando cooperativas, limitando a posse de terras, decretando a redução dos alugueis urbanos, das tarifas publicas e uma reforma monetária que anulou os capitais que haviam sido retirados para o exterior.

O governo dos Estados Unidos não deixaria por menos, pois a revolução cubana atacava as empresas Norte Americanas, como a grande United Fruit cujo suas terras foram desapropriadas e como retaliação Norte Americana ocorreram sabotagens no Porto de Havana enquanto que a nacionalização da telefonia foi respondida com incêndios nos canaviais cubanos realizados pela aviação dos E.U.A. A cada ação tomada pelo governo revolucionário atingia a exploração que os Estados Unidos praticava na ilha, as ações revolucionarias também não eram aprovadas pela burguesia que via sua hegemonia quebrada.

As hostilidades não se realizavam somente pelo fogo das armas, mas também no setor econômico, os Estados Unidos cortou o fornecimento de petróleo e a recusa das refinarias Norte Americanas de processar o petróleo Soviético levou o Governo de Fidel Castro a promover a nacionalização de empresas como Shell, Exxon e Texaco, além de bancos e outras empresas estrangeiras. Desde a organização do núcleo militar revolucionário que Fidel Castro desempenhou exilado no México em 1954 até a nacionalização do setor petrolífero de Cuba o segundo pior golpe realizado pelo governo Norte Americano à economia cubana seguiu após a ação de Fidel de nacionalizar as refinarias de petróleo que ocasionou o cancelamento da compra da cota de cana de açúcar, deixando Cuba sem combustível e sem seu principal produto de exportação.

Cuba encontrava-se em uma condição desfavorável porem possuía o apoio de grande contingente de camponeses, mas o governo necessitava de novos apoios econômicos que chegariam com a ajuda de Ernesto Guevara no inicio de 1961 que aproximou Cuba com a União Soviética. Agora Cuba possuía um poderoso aliado que garantia a compra da cota de cana de açúcar como o abastecimento de petróleo. Os Estados Unidos promoveu a ruptura de relações com Cuba e apoiou de maneira mais intensiva as forças contra-revolucionarias, alguns inicialmente pertenciam à revolução como Hubert Mattos, pecuarista que não aceitou a reforma agrária.

As tentativas de intervenção Norte Americanas ocorriam por meios de atentados e sabotagens e forneceram apoio aéreo a um efetivo de mais de mil soldados formados por exilados cubanos e mercenários que desembarcaram em Playa Girón na Baia dos Porcos em abril de 1961 com a pretensão de derrubar o governo revolucionário, mas foi derrotado graças à ajuda popular em três dias. A derrota fez com que os E.U.A pressionasse os paises da América Latina a decretarem um bloqueio continental na reunião da Organização do Estados Americanos em 1962 o que demonstrou a preocupação dos E.U.A com possíveis influências revolucionarias por toda América.

O estreitamento com a União Soviética trouxe mísseis nucleares para Cuba em uma tentativa de proteção contra uma possível intervenção direta do Exercito Norte Americano, entre um possível choque entre as duas potencias surge o acordo de que a União Soviética retiraria seus mísseis e os Estados Unidos não invadiria Cuba. A revolução Cubana abriu uma ferida no orgulho Norte Americano pelo fato de ter ocorrido no seu visinho e “colônia açucareira”, abrindo a chance de inspirar possíveis reivindicações em outros paises da América contra o imperialismo Norte Americano que resultou na implantação das ditaduras por toda a América Latina apoiados pelos E.U.A como medida preventiva.

Bibliografia

AUGUSTO, César, GUAZZELLI, Barcellos. História Contemporânea da América Latina 1960-1990 – Editora UFRGS, 2004

Tradução de Antonio José Massano. Edição original Comitê central do Partido Comunista de Cuba. Os Camponeses cubanos e a revolução – La Habana 1973.– distribuição: ULMEIRO.

FERNANDES, Florestan. Da Guerrilha ao socialismo: A revolução Cubana – Editora T. A. Queiroz, Editor, LTDA - 1979

sábado, 7 de novembro de 2009

Extinção de licenciaturas

Caros amigos da história, a ULBRA Guaíba, acabara com o curso de História, Matemática e Letras, os alunos de História estão se mobilizando para que nenhum colega de classe fique sem a sua formatura custe o que custar, aparentemente o diretor de nossa unidade se mostrou disposto em manter o curso até terminamos, mas estamos atentos conto com vocês, segue mais uma critica, aqueles que acham a profissão de professor uma assinatura de declaração de pobreza que não se preocupe conosco, pois somos decididos e amamos a História e vamos defende-la.
Infeliz as noticias são péssimas para nosso pais que carece tanto de educação, pois a ulbra acabara com mais de 150 cursos por todo o país, nosso governo vê a boa vontade de professores desta universidade, mas até agora não aplicou nenhuma medida para ajudar os milhares de alunos, trabalhadores que investem seus recursos para um futuro melhor já que a dificuldade de ingressar em universidade federal é grandiosa e quase épica em todos os âmbitos para obter essa oportunidade.
Esperamos um futuro melhor, mais oportunidades, mas nessa realidade em que mesmo pagando para tentar obter essa oportunidade se torna difícil, imaginem para aqueles que não podem pagar.

Capital e sociedade - engano histórico

Em nossa sociedade do inicio do século XXI ainda nos perguntamos o que seria do Brasil se fosse colonizada por Ingleses ou protestantes que não consideravam pecado o acumulo de capital, pergunta feita até mesmo por católicos, mas como o brasileiro possui a trágica doença da memória curta e de criticar a nossa política como corrupta e de assunto “chato” ou acabam utilizando a visão populista e esquecemos de que o livre comercio das colônias Inglesas no norte da América perdurou por muitos anos sem grandes intervenções pelo governo inglês ao contrário do que ocorreu na América latina, mas quando chegou a hora os colonos ingleses resistiram utilizando a própria política Inglesa solicitando uma representação no parlamento e utilizando o tráfico de mercadorias, quando os atritos chegaram ao seu limite com a violência do governo Inglês estoura a "revolução" Norte Americana.
Nós brasileiros esquecemos que fomos a única monarquia da América e que a figura do Rei é como Deus na terra para seus súditos e esta presença exerce grande influência na sociedade, isto pode se observar na história da humanidade, nas revoltas das colônias americanas uma das primeiras atitudes eram encaminhar cartas ao rei informando a injustiça que estavam lhe impondo e o rei jamais respondia como o esperado, vale lembrar quando citamos americanos nos referimos a toda America incluindo a do norte que nossa elite da imprensa insiste em não nos reconhecer como americanos deixando esse reconhecimento apenas para os Estadunidenses como os próprios se intitulam e nos deixando como latinos, sul-americanos enquanto que outra parcela de Estadunidenses e Europeus nos intitulam de “macaquitos”, “cucaratios”, “vagabundos” e “povo sem cultura”.
Quando vemos a política Inglesa de colonização da África e Ásia esquecemos da pergunta inicial aplicando a teoria do brasileiro possuir memória curta, não precisamos ir muito longe para comprovar isto basta lermos os nomes dos nossos políticos eleitos no senado e encontrarmos o nome Collor em 2006. Esta posição é muito generalizante, mas infelizmente se aplica na grande maioria do nosso povo que acaba realizando as perguntas erradas e obtendo as respostas tão erradas quanto as perguntas, não só as perguntas realizadas por nós são formuladas de forma errada como nossas afirmações e em algumas das nossas afirmações erronias compartilhamos com o resto da população mundial, salva as exceções sempre, em que nossa política econômica é justa e equilibrada formando o melhor meio de vida ou o sonhado “American way of live”.

Por que não nos perguntamos o “por que?” de tamanhas políticas sociais aplicadas pelo governo nos últimos anos? Planos como bolsa escola (do governo anterior e foi modificado e sendo integrado a outros planos), auxílio a casa própria, criação de moradias populares, a situação do SUS com filas lotadas, Bolsa Família, PROUNI, fome zero, Brasil alfabetizado, Plano Nacional de Reforma Agrária, Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, Programa de Combate à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, Programa Luz para Todos, Bolsa Alimentação, Programa de Combate ao Trabalho Escravo, Programa do Primeiro Emprego, Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA) e entre outros que podem ser encontrar no site oficial do governo federal (http://www.mre.gov.br/index.php?Itemid=1314&id=1431&option=com_content&task=view).

Por que precisamos destes planos de auxilio a sociedade se estamos vivendo a melhor fase do capitalismo mundial que vence uma crise global em menos de um ano, onde podemos comprar mercadorias de qualquer lugar do mundo e fabricadas em massa, onde possuímos muitas faculdades espalhadas por todo o país, onde podemos comprar diferentes alimentos o ano todo para termos uma alimentação equilibrada, onde temos auto-suficiência em petróleo, onde podemos votar em quem desejarmos e podemos ir e vir quando desejarmos na hora que desejarmos? Teoricamente esta tudo bem, mas a verdade nos salta aos olhos, o capitalismo não distribui oportunidades, ele restringe a oportunidade aqueles que podem pagar o preço, a fantasia da igualdade perante a lei (até hoje, 2009, nenhum membro do congresso foi julgado e punido) ou perante as oportunidades batem de frente ao capital que você possui para investir, portanto há a necessidade de distribuição de renda e oportunidades, a maioria das faculdades de nosso país são faculdades pagas estas são pagas na sua maioria pelo suor do trabalhador que busca uma melhora de vida futura, esta realidade não bate só a porta de nós Sul-Americanos, Africanos e Asiáticos, mas de todo o chamado primeiro mundo.
Não podemos deixar de lembrar que o aparente sucesso Estadunidense com o capitalismo foi forjado com a política imperialista sobre as nações da América principalmente, os defensores da democracia auxiliaram a implantação das ditaduras nas Américas, mas quando a Argentina precisou de seu apoio contra o Reino Unido não há obteve, o canal do Panamá se estabelece como um exemplo visível da sua intervenção e manutenção do imperialismo. Como podemos de deixar de lembrar a guerra do golfo e a atual intervenção no Afeganistão e Iraque, governos derrubados que outrora foram erguidos com o auxilio Norte Americano, isto é a democracia e oportunidades criadas pelo capitalismo defendido pela maioria da população brasileira por não realizar as perguntas corretas ou não buscar na história da humanidade que se apresenta como um livro aberto para quem quiser saber a verdade.
Para nosso futuro devemos realizar perguntas mais coerentes para podermos tentar localizar a resposta que abranja sempre o beneficio de toda a população e não somente uma parcela de uma elite política e econômica, uma das perguntas que poderíamos realizar seria: Como transformar nossa política Capitalista menos consumidora e restringente em uma política mais igualitária, com maior distribuição de oportunidades e recursos? Talvez uma das respostas estejam na consciência da verdade e do reconhecimento da humanidade do próximo independente de sexo, cor ou religião. Além de reconhecimento nós falta a vontade de querer enxergar a verdade, reconhecer os erros e tentar mudar.

sábado, 19 de setembro de 2009

"Revolução" Farroupilha

É dia 20 de setembro, estamos comemorando a revolução farroupilha, comemoramos a luta contra irmãos, tudo bem, um movimento democrático é sempre bom lembrar, mesmo se tratando deste movimento gerenciado pela elite estancieira do Rio Grande do Sul, mas como bom sul-rio-grandense também comemoro a lembrança de nossos ancestrais na luta pelo mantimento de nossas terras, as lutas fronteiriças que mantiveram nosso desenho geopolítico.

Infelizmente nestas comemorações sempre deixamos a menor parte para os verdadeiros heróis desta ímpia e injusta guerra, lembramos das mulheres que viam seus filhos e maridos morrendo. Lembramos dos negros, índios, mestiços e pobres que criavam a massa das tropas farrapos ou que sustentavam as estâncias. Pessoas que lutavam pela sua sobrevivência sua liberdade e que ao fim permaneceram presos ao exercito ou mantiveram sua condição de servidão.

Como ainda lembremos pouco dos lanceiros negros e do Gavião que não abandonou seu contingente no momento critico, traídos pelos lideres farrapos e massacrados pelas tropas imperiais naquela noite triste dos pampas. Lembremos também que nosso mais famoso herói morreu com seus escravos e os tratava como bens de valor que constavam no seu inventário.

Para finalizar deixo meu grande abraço a todos e comemoremos nesta data a luta por um regime mais democrático e da luta para a liberdade, mas não a luta da liberdade dos estancieiros, mas sim do povo rio-grandense como um todo, principalmente aqueles que realmente não eram livres.

domingo, 13 de setembro de 2009

A HISTÓRIA TRÁGICO-MARÍTIMA DAS CRIANÇAS NAS EMBARCAÇÕES PORTUGUESAS DO SÉCULO XVI

Esta é uma resenha de um tema do livro: História das crianças no Brasil.

O texto de Fábio Pestana Ramos sobre as crianças do período das grandes navegações portuguesas nos remete a triste realidade que essas crianças sofreram além do desapego dos adultos causado pelo grande nível de mortalidade infantil desde o período medieval e talvez agravada após a devastação da peste negra as crianças que eram alçadas nessa aventura por muitas vezes desafortunada morriam pela árdua viagem através do atlântico rumo ao Brasil ou as Índias Orientais, sofriam com a pirataria que ao captura-las eram mantidas como escravos, prostituídas ou mortas, mas a violência sexual poderia vir de seus próprios parentes ou conterrâneos. A pedofilia era corriqueira nas embarcações, principalmente nessa época de grande falta de mulheres que às vezes eram proibidas de tripular uma embarcação, nessas situações as crianças saiam de Portugal acompanhadas de algum parente ou como Grumetes ou como Pagens, em todo o momento os acompanhantes deviam vigiá-las para não serem violadas.

Os grumetes eram marinheiros do mais baixo escalão que formava parte da tripulação enviadas paras as índias Orientais ou para o Brasil, essa classe era formada na sua grande parte por crianças entre 9 e 16 anos, geralmente meninos filhos de pedintes, de pessoas muito pobres das áreas urbanas ou órfãos. Aqueles que possuíam família geravam soldo a sua família, a mortalidade dos navios era grande, mas as crianças não tinham escolha e as suas chances de morrer por falta de alimentação ou por doença eram extremamente grandes tanto em terra como no mar, pois a expectativas de vida das crianças portuguesas entre os séculos XIV e XVIII era por volta dos 14 anos, as crianças que trabalhavam na agricultura eram poupados do serviço nas embarcações lusitanas.

Tudo que possamos pensar em termos de direitos das crianças atualmente com certeza eram violados neste período da nossa história, o trabalho infantil, a violência física, violência sexual e psicológica em todos os sentidos, pois além dos maus tratos muitas crianças judias eram raptadas para compor os grumetes e controlar a população de judeus em Portugal. Aos grumetes cabiam os mais perigosos trabalhos em uma embarcação e apesar de responderem ao Guardião (cargo ocupado geralmente por ex-marinheiros) sofriam com os abusos de todas as outras classes da tripulação. Essas crianças marinheiras apesar de serem muitas vezes tratadas como animais ou objeto de trabalho e uso, formavam uma grande parte da tripulação como em meados do século XVIII o numero dessas crianças chegou a ser equivalente ao dos adultos.

As embarcações possuíam pouco espaço, os donos dos navios se utilizavam do espaço para as mercadorias e os grumetes se acomodavam ao ar livre, expostos a chuva, sol e frio, sua alimentação era péssima como a da maioria dos tripulantes com biscoitos a mofar, água pútrida, carne salgada em estado de decomposição e não recebiam a porção de vinho como os marujos adultos. Os marinheiros podiam pescar para compor a alimentação, mas as crianças tinham seu tempo exaurido pelos trabalhos contínuos e exaustivos, sua saúde era debilitada e a presença de médicos era rara, na maioria das vezes que eram submetidos a tratamentos esse tratamento era a sangria, praticada desde o medievo, se não deixavam mais debilitados os matavam com essa prática. Apesar dos grumetes serem a mais baixa classe da tripulação, costumavam desempenhar tarefas de todos os ofícios dentro das embarcações em alguns casos aplicaram sangrias como um médico, pilotaram os navios entre outras grandes ações demonstrando sua importância e mesmo com colossais dificuldades e recebendo a metade do soldo de um marinheiro adulto em raros casos acendiam na Marinha Portuguesa.

Ao contrario dos grumetes os pagens (crianças de mesma idade dos grumetes) possuíam melhor condição de vida, pois eles serviam e eram acompanhantes dos nobres e oficiais nas embarcações. Possuíam um soldo menor que do adulto e maior que do grumete, mas algumas vezes recebiam gratificações e mantinham um maior contato com os melhores alimentos das naus possibilitando uma melhor qualidade de vida, os nobres levavam consigo cerca de 5 pagens e em alguns casos os pagens eram escravos adultos, as crianças escolhidas para serem pagens em uma embarcação rumo as Índias Orientais ou ao Novo Mundo eram de famílias pobres, de setores médio urbano, protegidos pela nobreza ou da baixa nobreza. Ser um pagen significava ter melhores chances para aprender um oficio ou seguir carreira na Marinha Portuguesa com maiores chances de ascensão.

Alguns oficiais levavam seus filhos como pagens ou como acompanhantes para aprender algum oficio, os acompanhantes não possuíam deveres como os pagens ou grumetes além de possuírem a liberdade de transitar pela embarcação e outras vantagens adquiridas por meio de seus parentes, mas não recebiam soldo. Mesmo os pagens e as crianças que entravam nessas viagens não escapavam dos maus tratos ou do perigo da pedofilia que rondava as naus portuguesas, tais atos de pedofilia eram corriqueiro também dentro na categoria dos pagens que eram abusados pelos oficiais, marinheiros e até mesmo por seus parentes. O fato dos altos escalões também praticar as atrocidade do abuso sexual retirava as chances das crianças acompanhantes, grumetes ou pagens de recorrer a alguém, por vezes as crianças acabavam a se prostituir para ganhar alguma proteção de um adulto ou oficial.

Enquanto o número de meninos com idade entre 12 e 16 anos era grande as meninas embarcavam nas frotas portuguesas em menor quantidade, mas na sua maioria vindas também da mesma origem pobre dos orfanatos e com idades entre 14 e 17 anos eram as órfãs “Del Rei”. A grande preferência era por meninas com idade abaixo dos 17 anos, a preferência se justificava pelo fato da coroa colocar prostitutas nos orfanatos para livrar Portugal das pecadoras, então as mulheres de 18 a 30 anos provavelmente seriam prostitutas. As viagens ao Brasil levavam cerca de 2 a 3 meninas para casarem com membros da baixa nobreza e o maior fluxo de meninas e mulheres era para as Índias Orientais, pois no Brasil o contato com os nativos era grande e a coroa permitia o relacionamento de homens brancos com as nativas.

As meninas passavam pelas mesmas provações dos outros tripulantes como a comida e a água em péssimo estado, geral mente elas eram confiadas a um religioso para manter-las seguras e não serem estupradas e se eram raramente se conheciam o fato que as desvalorizavam, assim diminuindo suas chances para o matrimonio, por isso os religiosos não se agradavam com fato de mulheres nos navios. A sociedade patriarcal portuguesa chegava a considerar órfãs as meninas órfãs de pai e retirando as meninas de suas famílias para suprir a falta de mulheres brancas nas índias, outro caso de seqüestro a medida tomada pela coroa de colocar meninas ciganas em orfanatos que seriam enviadas par as índias e assim controlavam e tentavam diminuir a população de ciganos que em sua grande maioria se recusavam a converter se na fé cristã.

Aos acompanhantes crianças era remetido a mesma porção de ração dos grumetes, mas aqueles que eram pertencentes a nobreza possuíam contato com alimentação mais saudável fornecida pelo mercado negro de alimentos dentro da própria embarcação, os alimentos que eram guarnecidos para os doentes era desviado. Apesar de não possuírem obrigações como os tripulantes, esses passageiros, principalmente os pobres, passavam os mesmos riscos da violência sexual na maioria das vezes por parte dos marinheiros que na grande maioria era formada por bandido, ladrões e assassinos dignos da fogueira da inquisição, mas eram absolvidos para trabalhar nas aventuras oceânicas.

No período das grandes navegações lusitanas o mar do atlântico foi tomado por um pequeno exercito infantil que formavam cerca de 5% da tripulação total em uma nau, por isso os poucos registros, mas serviram para inúmeras ações que variavam de meros serventes dos nobres, dos marinheiros ou como objeto sexual. As meninas, órfãs do rei, tinham como missão casarem com portugueses que viviam nas índias onde a mulher branca era escassa, para o Brasil essa leva de meninas, mesmo em pequena quantidade, era destinada aos membros da baixa nobreza. Apesar de a situação ser catastrófica no período entre século XVI e XVIII não podemos dizer que não havia sentimentos entre as crianças e os adultos, mas a fragilidade das crianças era tanta que morriam em grande quantidade por falta de alimentação, por sarampo ou outra doença, assim criava uma esperança muito pequena nas chances dessas crianças sobreviverem até chegar a idade adulta ou morreriam nos primeiros meses de vida. Se pensarmos que os pais dessas crianças não sofriam com a perda delas estaremos sendo muito sensacionalistas e rebaixando nossa condição abaixo dos “animais”, sendo que muitos animais ditos irracionais arriscam suas vidas para tentar manter seus filhotes vivos, talvez para as pessoas do período da epopéia marítima o alistamento de seus filhos na marinha portuguesa seria a única chance a dar a essas crianças e de arrecadar algum recurso para garantir a sobrevivência do resto da família que ficava em Portugal.


BIBLIOGRAFIA

RAMOS, Fábio Pestana. A história trágico-marítima das crianças nas embarcações portuguesas do século XV. In: PRIORE, Mary Del. História das crianças no Brasil. 4. ed. São Paulo: Contexto, 2004.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Poemas I

Possibilidades
O momento em que estamos vivendo é o presente
Passado o ato é História, não pode ser mudado
Pode ser reinterpretado fazendo com que surjam fatos não vistos.

O que pensamos em fazer pode ser o futuro,
Mas só se tornará presente se for realizado
Se não for realizado não se tornará passado

Se não se tornar passado não será História e não será real,
Será apenas um pensamento fugaz ou um sentimento de perda
A reflexão nos da coragem para agir ou nos leva a realidade

Para as coisas boas a reflexão nós faz mover
Para as coisas ruins ela nós faz evitar cometer erros
Para as dúvidas ela nós traz a certeza

Mas quando envolve o coração sempre a dúvida nos toma
E a reflexão é atrapalhada, fazendo com que a razão se desfie,
Mas com o tempo a razão tende em entrar em sintonia com o coração

Ao viver em meio de inúmeras possibilidades,
Inúmeras escolhas que vemos muitas vezes as possibilidades passarem
Possibilidades que podem nós trazer a felicidade.
A nossa felicidade e a de outras pessoas.

Diário de bordo
Estou aqui, olhando para o mar
Inclino-me em direção a popa
E vejo o que deixei para traz
Reflexões sobre o passado são inevitáveis

Lembro-me dos dogmas que me fizeram sofrer
Lembro-me das concessões em busca de um bem maior
Lembro-me do suor, sangue e lagrimas
Lembro-me que antes de tudo já havia vida

Meu rosto suado e queimado pelo sol do atlântico
Dias, semanas e meses sem ver terra
Sinto-me como um grumete nesta nau chamada vida
Em alguns momentos penso ver terra, mas é uma miragem

À noite deito na proa e vejo as estrelas
Volto meus olhos para as estrelas,
Mas são tantas quanto há almas no mundo
Ludibrio-me com seu brilho e a imponência da lua

Passeio pelas constelações até que meus olhos
se cansem e me levam para o mundo dos sonhos
onde não a dor e nem raiva enquanto a brisa de verão em alto mar
garante meu sono até o amanhecer.

Deuses ou Homens
Quando termina um ciclo
Mudanças profundas acontecem
Tempos estranhos trazem seres estranhos

O mundo não será como antes
E o sangue oferecido não é suficiente
E o os deuses não respondem mais

Os deuses possuem quatro pernas
Os deuses possuem pele de aço
Os deuses não se alimentam de sangue,
Mas de “plata” e “oro”

A benevolente serpente emplumada caiu
E os deuses da fúria se levantam
E nossos inimigos se unem

Os deuses sangram, são homens
Nossos irmãos sangram mais do que eles
Nossos inimigos também pagaram o preço

O jaguar desceu a terra
Com grandes mordidas ele nos leva
E mais da metade de nós e nossos inimigos se foi
É o fim do nosso mundo, inicio de outro.


América para todos
Povo desta terra, peças de um jogo chamado América
Alguns encontram seu fim na ponta do florete,
outros no estampido do mosquete
Ou nem sentem o cheiro da pólvora do canhão

Pobres, negros, índios e mestiços,
Peças disputadas em um joguete entre a elite branca européia e crioula
Esperança da liberdade é sinônimo de oportunidades
Esperança em um rei que nunca verei
Até o ponto em que a realidade bate a porta sem avisar

Donos desta terra conquistada
Disputada com moradores mais antigos
Onde o poder esta na mão de poucos e o destino nas mãos de estrangeiros
Que tentam nos acorrentar até que a revolta estoure
pela consciência ou pela frequência do chicote que ultrapassa o limite