sexta-feira, 3 de maio de 2013

DO FUTEBOL AO COMBATE A GUERRILHA


DO FUTEBOL AO COMBATE A GUERRILHA

          Nunca em uma nação um esporte foi tão importante e fonte de discussão em meio à política e amor a pátria. Na conjuntura do Brasil no ano de 1970 onde a Seleção Brasileira disputaria o titulo mundial de futebol e o titulo de maior campeão de futebol de todas as copas contra a Itália, em jogo mais que um titulo, uma janela para o mundo de como o Brasil era, um pais de pessoas alegres, criativos e vitoriosos.

Enquanto o Brasil se encaminhava para a vitória no Futebol sua democracia estava em plana estagnação, certos setores da população se encontravam em um conflito em seus corações, o amor pela Seleção de Futebol e a atual situação de repressão sobre a democracia.

Entre as pessoas que tentavam não torcer para a Seleção estavam em uma grande parte da classe média, burguesia e estudantes universitários, contraditório pois estas classes sociais foram as mais privilegiadas neste período de regime militar. Aqueles que se opunham contra a Seleção Brasileira viam a vitória da Seleção Canarinho como a vitória do Governo Militar.

Na Copa do Mundo de Futebol se tornou o auge das frases ufanistas como “para Frente Brasil”, “Ninguém mais segura este Brasil” e marchinhas cantando um Brasil de todos e vencedor. A Seleção Brasileira se tornou um símbolo de vitória do governo Médici, que como a maioria dos homens brasileiros era amante do esporte e não realizou poucos esforços para se usar da imagem vitoriosa da Seleção Brasileira de Futebol, mas contra a partida se aplicava o “milagre Econômico” para poucos e a forte repressão aos opositores do governo militar.

Dentro das resistência mais ousadas e radicais estavam grupos de militantes políticos de esquerda ligados a teoria marxista, estudantes universitários, membros da classe média, burguesia e membros das forças militares. Antes da entrada do Governo Médici havia iniciado uma nova tática de guerrilha onde a presença na mídia se fez inevitável, o seqüestro de embaixadores como o caso do embaixador estadunidense Elbrick para se utilizar de moeda de troca na soltura de companheiros guerrilheiros presos pelo governo.

Com o Governo Médici em ação, a caçada aos guerrilheiros se estabeleceu de forma muito eficaz. Dentro dos casos mais famosos se encontrava o Guerrilheiro de origem militar que liderava a REDE (Resistência Democrática) o “Bacuri”, Eduardo Leite era soldado do exercito. Bacuri foi preso no Rio de Janeiro e depois levado até são Paulo para o DEOPS, sua prisão envolveu agentes infiltrados e a equipe do famigerado Fleury, conhecido por seus métodos extremamente violentos. A pos dias de tortura sem ceder informações, Bacuri teve sua morte anunciada no Jornal a Folha da Tarde antes mesmo de seu assassinato, com sua morte já justificada pelo jornal onde declarou que havia sido morto em um tiroteio, sua tortura seguiu ao ponto de arrancarem suas orelhas, olhos e queimarem seu corpo.

As ferramentas do Governo de luta contra as resistências armadas foi extremamente eficaz, os principais lideres estavam sendo presos e executados, Carlos Marighela e Joaquim Câmara Ferreira foram capturados e mortos entre outubro de 1970. Para as Guerrilhas urbanas o assalto a banco para realizar desapropriações para manter a resistência não se apresentava para a população mais do que assaltantes de banco e isso alimentava a propaganda contra a resistência armada e a marginalização dos guerrilheiros.

A ultima grande resistência armada contra o golpe militar se localizou no interior da Baiha, a guerrilha em Buriti Cristalino contava com Carlos Lamarca, ex soldado e campeão de tiro que aplicava treinamento para civis se defenderem contra a “violência da Guerrilha”, mas que na verdade se tornara um dos mais conhecidos lideres da resistência que foi acompanhado pela sua esposa Lara Lavalberg que não era a única presença feminina em resistências armadas como esta. Com Lamarca prestando assistência técnica a resistência provocou a ira das forças militares, a população do pequeno lugarejo foi interrogada sem deixar de passar pelos abusos das torturas em alguns casos liderados pelo próprio Freury, nesta operação as forças policiais, do Exercito, aeronáutica e marinha forma utilizadas. Havia discussão até mesmo pelo nome da operação que se aplicariam contra Lamarca que culminaria com seu assassinato em 17 de setembro em uma emboscada, a priori se chamaria “Calabar” para fazer uma ligação ao Português que acabou ficando do lado dos Holandeses na retomada de Recife pelos Português, mas a missão acabou por ficar com o nome de uma praia de alagoas que era favorita de Cerqueira.

Dentro da luta do Araguaia a luta foi organizada por membros do PC do B com cerca de 69 militantes, liderados pelo segundo-tenente do exercito Osvaldo Orlando Costa, Paulo Mendes Rodrigues e pelo médico Gaúcho João Carlos Sobrinho.

Dentro das operações de combate a resistência no Araguaia os órgãos federais mais uma vez baixou todo seu aparato de combate contra os subversivos da região do Araguaia e mais uma vez aplicando torturas violentas sob comando do general Antonio Bandeira. Mesmo com todo o cerco com aproximadamente 12 mil homens a guerrilha resistiu por 4 anos, chegando somente ao publico em 1978, antes somente uma pequena citação no jornal Estado de São Paulo em Setembro de 1972. A guerrilha no Araguaia permaneceu de 1970 a 1974 com a morte de Osvaldão (Osvaldo Orlando Costa) e a guerrilha foi exterminada, entre os membros se encontra José Genuíno que mais tarde participaria de forma efetiva na política brasileira através do PT, sendo eleito deputado federal e mais tarde envolvido nos escândalos de desvio de verbas conhecido como “mensalão”.

           Com a eximia determinação do governo Médici a guerrilha foi quase completamente vencida, mas a resistência política continuava e a abertura democrática se faria tardar, mas seria finalmente vista por muitos dos guerrilheiros e opositores dos governos militares que sobreviveram as torturas e ao exílio podendo finalmente retornar ao Brasil com uma possibilidade de liberdade política e de expressão mais real.
Por Jeberson Rodrigues
 
                                   REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FAUSTO, Boris, História do Brasil, FDE,São Paulo, 2001.

Coleção Caros Amigos, A ditadura Militar no Brasil,Fascículos quinzenais, 2007.

HISTORIA DA VIDA PRIVADA NO BRASIL - VOL. 4 - CONTRASTES DA INTIMIDADE CONTEMPORANEA, Organizador SCHWARCZ, LILIA MORITZ - Editora: COMPANHIA DAS LETRAS - Edição: 1ª EDICAO – 1998

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