DO FUTEBOL
AO COMBATE A GUERRILHA
Enquanto
o Brasil se encaminhava para a vitória no Futebol sua democracia estava em
plana estagnação, certos setores da população se encontravam em um conflito em
seus corações, o amor pela Seleção de Futebol e a atual situação de repressão
sobre a democracia.
Entre
as pessoas que tentavam não torcer para a Seleção estavam em uma grande parte
da classe média, burguesia e estudantes universitários, contraditório pois
estas classes sociais foram as mais privilegiadas neste período de regime
militar. Aqueles que se opunham contra a Seleção Brasileira viam a vitória da
Seleção Canarinho como a vitória do Governo Militar.
Na Copa do Mundo de Futebol se tornou
o auge das frases ufanistas como “para Frente Brasil”, “Ninguém mais segura
este Brasil” e marchinhas cantando um Brasil de todos e vencedor. A Seleção
Brasileira se tornou um símbolo de vitória do governo Médici, que como a
maioria dos homens brasileiros era amante do esporte e não realizou poucos
esforços para se usar da imagem vitoriosa da Seleção Brasileira de Futebol, mas
contra a partida se aplicava o “milagre Econômico” para poucos e a forte
repressão aos opositores do governo militar.
Dentro das resistência mais ousadas e
radicais estavam grupos de militantes políticos de esquerda ligados a teoria
marxista, estudantes universitários, membros da classe média, burguesia e
membros das forças militares. Antes da entrada do Governo Médici havia iniciado
uma nova tática de guerrilha onde a presença na mídia se fez inevitável, o
seqüestro de embaixadores como o caso do embaixador estadunidense Elbrick para
se utilizar de moeda de troca na soltura de companheiros guerrilheiros presos
pelo governo.
Com o Governo Médici em ação, a caçada
aos guerrilheiros se estabeleceu de forma muito eficaz. Dentro dos casos mais
famosos se encontrava o Guerrilheiro de origem militar que liderava a REDE
(Resistência Democrática) o “Bacuri”, Eduardo Leite era soldado do exercito.
Bacuri foi preso no Rio de Janeiro e depois levado até são Paulo para o DEOPS,
sua prisão envolveu agentes infiltrados e a equipe do famigerado Fleury,
conhecido por seus métodos extremamente violentos. A pos dias de tortura sem
ceder informações, Bacuri teve sua morte anunciada no Jornal a Folha da Tarde
antes mesmo de seu assassinato, com sua morte já justificada pelo jornal onde
declarou que havia sido morto em um tiroteio, sua tortura seguiu ao ponto de
arrancarem suas orelhas, olhos e queimarem seu corpo.
As ferramentas do Governo de luta
contra as resistências armadas foi extremamente eficaz, os principais lideres
estavam sendo presos e executados, Carlos Marighela e Joaquim Câmara Ferreira
foram capturados e mortos entre outubro de 1970. Para as Guerrilhas urbanas o
assalto a banco para realizar desapropriações para manter a resistência não se
apresentava para a população mais do que assaltantes de banco e isso alimentava
a propaganda contra a resistência armada e a marginalização dos guerrilheiros.
A ultima grande resistência armada
contra o golpe militar se localizou no interior da Baiha, a guerrilha em Buriti
Cristalino contava com Carlos Lamarca, ex soldado e campeão de tiro que
aplicava treinamento para civis se defenderem contra a “violência da Guerrilha”,
mas que na verdade se tornara um dos mais conhecidos lideres da resistência que
foi acompanhado pela sua esposa Lara Lavalberg que não era a única presença
feminina em resistências armadas como esta. Com Lamarca prestando assistência
técnica a resistência provocou a ira das forças militares, a população do
pequeno lugarejo foi interrogada sem deixar de passar pelos abusos das torturas
em alguns casos liderados pelo próprio Freury, nesta operação as forças
policiais, do Exercito, aeronáutica e marinha forma utilizadas. Havia discussão
até mesmo pelo nome da operação que se aplicariam contra Lamarca que culminaria
com seu assassinato em 17 de setembro em uma emboscada, a priori se chamaria
“Calabar” para fazer uma ligação ao Português que acabou ficando do lado dos
Holandeses na retomada de Recife pelos Português, mas a missão acabou por ficar
com o nome de uma praia de alagoas que era favorita de Cerqueira.
Dentro
da luta do Araguaia a luta foi organizada por membros do PC do B com cerca de
69 militantes, liderados pelo segundo-tenente do exercito Osvaldo Orlando
Costa, Paulo Mendes Rodrigues e pelo médico Gaúcho João Carlos Sobrinho.
Dentro das operações de combate a
resistência no Araguaia os órgãos federais mais uma vez baixou todo seu aparato
de combate contra os subversivos da região do Araguaia e mais uma vez aplicando
torturas violentas sob comando do general Antonio Bandeira. Mesmo com todo o
cerco com aproximadamente 12 mil homens a guerrilha resistiu por 4 anos,
chegando somente ao publico em 1978, antes somente uma pequena citação no
jornal Estado de São Paulo em Setembro de 1972. A guerrilha no Araguaia
permaneceu de 1970 a 1974 com a morte de Osvaldão (Osvaldo Orlando Costa) e a
guerrilha foi exterminada, entre os membros se encontra José Genuíno que mais
tarde participaria de forma efetiva na política brasileira através do PT, sendo
eleito deputado federal e mais tarde envolvido nos escândalos de desvio de
verbas conhecido como “mensalão”.
Com
a eximia determinação do governo Médici a guerrilha foi quase completamente
vencida, mas a resistência política continuava e a abertura democrática se
faria tardar, mas seria finalmente vista por muitos dos guerrilheiros e
opositores dos governos militares que sobreviveram as torturas e ao exílio
podendo finalmente retornar ao Brasil com uma possibilidade de liberdade
política e de expressão mais real.
Por Jeberson Rodrigues
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FAUSTO, Boris, História do Brasil, FDE,São Paulo, 2001.
Coleção
Caros Amigos, A ditadura Militar no
Brasil,Fascículos quinzenais,
2007.
HISTORIA DA VIDA PRIVADA NO BRASIL - VOL. 4 - CONTRASTES
DA INTIMIDADE CONTEMPORANEA, Organizador SCHWARCZ, LILIA MORITZ - Editora: COMPANHIA DAS LETRAS - Edição: 1ª EDICAO – 1998
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