quarta-feira, 18 de maio de 2011

Tucídides – Guerra do Peloponeso

Tucídides (455-395 a.C) inaugura a historiografia científica restringido a observação.
A guerra do Peloponeso cai na análise atenta de Tucídides que procura entender o choque das duas potências, Esparta e Atenas através de motivos exclusivamente históricos.
Pela explicação de Tucídides, Atenas só desenvolveu-se graças a pobreza do solo que não atraiu invasores e dando tempo para o desenvolvimento ateniense.
Após as guerras pérsicas Atenas transformou em domínios os estados aliados, esse engrandecimento trouxe prejuízos comerciais a Corinto que não podendo enfrentar Atenas tentou obter a aliança de Esparta, relutante porque temia uma revolta das populações subjugadas em seu próprio território. Abstendo-se do conflito, perderia a liderança sobre os estados do continente, assim viu-se forçada a entrar numa guerra que poderia arruinar definitivamente.
Em Atenas as pressões também eram grandes, Córcira, rebelada contra Corinto pede auxilio a potência naval, Atenas não podia negar socorro a ilha que dominava a rota da rica Sicília e Córcia passou a integrar o império Ateniense. Potidéia, estado satélite de Atenas, rebelou-se com a ajuda de Corinto e estabelecendo nova área de conflito. Platéia, cidade aliada de Atenas, atacada por Tebas, ampliou as hostilidades até chegar ao ponto do exercito espartano invadir Ática e desencadeando as guerra.
Tucídides mostra que a guerra foi inevitável, liberto da cumplicidade com a metafísica ou o mito mas a idéia do destino implacável permanece. A culpa não é aplicada por Tucídides em Esparta ou Atenas do desastre. Em mais de um lugar, desaprova os recursos da poesia por não prenderem aos fatos e por terem em vista provocar encanto sem cuidados pela análise. Em lugar do processo associativo de seu antecessor, investiga as causas, elimina episódios que não lhe dizem respeito, submete-se a rigorosa seqüência cronológica, relatando o desenvolvimento da guerra ano por ano.
Os discursos de Tucídides são construções literárias impessoais, habilmente elaboradas e rigorosamente ligados a seqüência dos fatos com acabamento artístico na argumentação e nos efeitos retóricos e atentos aos atualizados preceitos sofistas.
Em geral Esparta levou vantagem em terra, por muitos anos Atenas conseguiu conter Esparta e seus aliados graças a sua superioridade no mar, mas levados pelo ambicioso Alcebíades que os levou na tentativa de conquistar Sicília e acabou em desastre diante de Siracusa.
Em 405 a.C, a principal esquadra ateniense foi surpreendida e destruída nos Dardanelos, bloqueada por terra e por mar Atenas caia em 404 e se tornava aliada de Esparta, o general espartano Lisandro foi o chefe do império Ateniense e tratou-a duramente. Assim terminava a guerra do Peloponeso que durou vinte e sete anos (431+404 a,C).
Tucídides demonstra sua preocupação em revelar o que realmente havia acontecido e para isso se dispôs a ouvir e analisar varias fontes que muitas vezes possuíam pontos de vistas diferentes, além da preocupação com a verdade ele nos revela seu interesse de criar um documento de estudo mesmo que isso não agrade o grande público, sendo que suas narrativas não eram tão fantásticas como as de Homero.
Ele queria deixar um documento para quem tivesse interesse ou para quem pudesse ter interesse futuramente, talvez Tucídides não imaginaria que seus relatos pudessem perdurar por tantos anos como durou e ainda persiste e além de seus relatos, sua linha de pesquisa, em busca da verdade dos acontecimentos passados que hoje é uma das bases primordiais para um historiador.
Podemos ver algumas dessas preocupações neste trecho escrito por Tucídides:
“Pelo que se refere aos fatos, não me baseei no dizer do primeiro que chegou ou nas minhas impressões pessoais; não narrei senão aqueles de que eu próprio fui espectador ou sobre os quais obtive informações precisas e de inteira exatidão. Ora, eu tinha dificuldade em conseguir isso, porque as testemunhas oculares nem sempre estavam de acordo sobre o mesmo acontecimento e variavam segundo as suas simpatias ou a fidelidade de sua memória.
Talvez as minhas narrativas, despidas do prestígio das fábulas, perderão o seu interesse; basta-me que sejam consideradas úteis a quem quer que deseje fazer uma idéia justa das coisas e prejulgar os incidentes mais ou menos semelhantes, cuja volta o jogo das paixões humanas deve levar á repetição. Eu quis legar à posteridade um documento a consultar sempre e não oferecer um fragmento de ostentação a ouvintes de um instante” (Tucídides, 1, 22, segundo Glotz, Lectures hitoriques, Hachette, ed.)


Bibliografia
J. Isaac / A. Alba. História Universal - Oriente e Grécia
Editora Mestre Jou
Donaldo Schüler. Literatura Grega
Editora Mercado Aberto

quarta-feira, 4 de maio de 2011

E.U.A na América Latina

Dentro dos projetos de expansão norte-americana estava a forma de vida e preceitos religiosos e de liberdade dos EUA, onde se pode observar o fator dos estadunidenses se auto imbuir da missão de civilizar o mundo como a nação escolhida por Deus, a visão da América Latina como quintal e como tal deve estar na forma como bem lhes deseja fizeram com que EUA interviessem de forma direta nas decisões das nações da América principalmente na América central.

As políticas norte-americanas passavam pela forma violenta como pela forma mais pacifica, porem de forma a manter o domínio sobre os latinos. A ultima colônia da Espanha na América estava ao lado dos EUA, Cuba importante região do Caribe que dispunha grande fonte de produção de açúcar para os norte-americanos, com o inicio das taxações aduaneiras impostas pela Espanha, as oligarquias cubanas aplicaram uma revolta, pois atrapalhavam seu comercio com os “irmãos” norte-americanos, prontamente os EUA sobe pretexto do ataque ao USS Maine, navio de guerra Estadunidense, interveio nesse conflito de interesses, aplicando uma guerra contra a Espanha, aproveitando a situação aplicou a guerra na colônia hispânica nas Filipinas, onde ocorreram mais tarde revoltas contra os EUA para uma republica Filipina. Com a vitória esmagadora sobre a Espanha, Cuba se tornou um protetorado Norte-americano, com clausula na constituição Cubana permitindo a intervenção dos EUA em qualquer situação que o Governo dos EUA julgasse necessária, a Espanha receberia uma quantia de cerca de 20 milhões de dólares pela perca das Filipinas, o julgo norte americano se estendeu até o Havaí que se tornaria um estado dos EUA, paises como Porto Rico e Haiti se tornaria protetorados Norte-americanos.

Em 1903 se iniciaria a se tornar realidade o sonho de criar um canal de ligamento inter-oceânico entre o pacifico e o atlântico, sonho esse cobiçado pela Inglaterra, porem conquistado pelos EUA, a Colômbia por sua vez não concordava com as condições impostas, com o apoio estadunidense a aos investidores franceses na construção do canal do Panamá, a região se separou da Colômbia e entregou os direitos de exploração e criação do canal para os EUA durante 100 e recebeu o apoio dos EUA contra qualquer investida contra o país recém criado. Sobe a forma do Big Stick com intervenções militares diretas ou pela diplomacia do dólar que se utilizava de investimentos econômicos para manter seus interesses na América movidos pela sua “missão” de civilizar, salvar e libertar o mundo os EUA não mediram forças ou métodos para isso, mas sempre encontravam pessoas como José Martí em Cuba que procuravam abrir os olhos da população e do mundo para o açoite aplicado pelos norte-americanos sobre outras nações. A Europa não deixava por menos com a exploração das infra-estruturas necessárias e tão mal fundadas nas nações Latino Americanas com suas empresas que se tornavam verdadeiros enclaves que buscavam o lucro sem limites, para os EUA as empresas de sua nação formavam verdadeiras formas de aplicar influencias sobre as nações latinas, contudo estas políticas formavam reações contrarias que resultavam em movimentos anti-imperialista e pró socialistas por toda América Latina.


Bibliografia

Karnal, Leandro : História dos Estados Unidos: das Origens ao Século XX.

Wasselman, Claudia: História contemporânea da América latina.

AO ENCONTRO DA REVOLUÇÃO RUSSA

Inicio do século XX a História proporcionou um episódio que abalou o mundo com sugere o historiador e espectador da Revolução Russa John Reed, mas como uma nação muda de opinião sobre os tais acontecimentos que alterariam completamente o modo de vida e governo desta? Para uma sociedade açoitada constantemente pelos mandos e desmandos da corroa Russa, a liberdade e possibilidade de obter terras para a própria produção era um sonho que tomaria toda Rússia destratada e sem oportunidade. O campesinato estava livre da corvéia que lhes era imposto pela tradição do servo desde os meios do século XVIII, porem essa mudança foi gradual, mas o tratamento para a população do campo continuava próxima a do servil pelo tratamento dos grandes latifundiários e mantidos na miséria constante. Para a burguesia russa que se constituía por grande parte da indústria do algodão com descreve Mauricio Tragtenbergem A Revolução Russa.

Entre a burguesia russa, os novos industriais do algodão representam a nata da nova classe; seus filhos formam-se em universidades, viajam ao exterior, conhecem o Frances (língua da cultura) e o alemão (língua comercial) e estagiam em fábricas suíças ou Inglesas. (TRAGTENBERG, 1991, p. 60).

Mas o preparo das novas gerações de burgueses não chegaram a tempo para obter uma liderança consistente e representação diante a nobreza como aconteceu em outras nações que passaram da monarquia para a democracia burguesa. Com uma burguesia latifundiária e exploradora dentro das fábricas e sem representação real no governo não haveria como conseguir apoio conciso dos trabalhadores rurais e operários.

Enquanto os planos de expansão do império no oriente eram travados pelas tropas japonesas o povo russo via seus compatriotas morrendo nas trincheiras no oriente os operários realizavam a revolução de 1905 com uma organização semelhante as comunas do meio rural, os sovietes, para manterá unidade dos trabalhadores das fábricas durante os movimentos para melhores condições de trabalho e representatividade no governo, os sovietes foram criados para reunir um conselho assim se mantendo organizados e unidos de forma democrática. Contudo em 1905 já não bastando as perdas nos campos de batalha um manifestação pacifica se transforma em um massacre de inocentes proporcionado pelo governo monarca, as indignações dentro da população se incendiavam e a governabilidade se tronaria cada vez mais difícil a pondo do governo proporcionar um parlamento (Duma) que logo seria desmantelado.

O governo manteve a Duma, mas com caráter consultivo e subordinada a ele. Ao lado da prisão de militantes dos partidos esquerdistas, o governo permitia, dentro de certos limites, a propaganda eleitoral dos partidos políticos. (TRAGTENBERG, 1991, p. 72-73).

A falta de representação, opressão violenta e inconseqüente já seriam motivos óbvios para uma revolta como à séculos viam acontecendo desde o período medieval. Uma população de séculos de império resistia as mudanças vindas do ocidente, mas seria impossível ficar aparte de tamanhas alterações e com os movimentos de 1905 proporcionaram a criação de partidos de oposição que alterariam a estrutura política da nação, contudo a resistência da monarquia se estabelecia a força e a custo do sangue do campesinato e dos operários. Com a explosão da primeira guerra mundial a revolução russa ganharia um catalisador com as perdas e a miséria proporcionada pela guerra e assim marcando um fim próximo de um império.

É notório que a revolução russa se trata de acontecimento intrincado e muito complexo com fatores que primeiramente destruíram a confiança na monarquia e a imagem do monarca como representante de Deus na Terra o mesmo monarca se atribuía esta condição e considerava-se no direito de exercer seu poder em sua terra e súditos, poder este que não era mais aceito e sim questionado. A censura no império por motivos desconhecidos, não proibiu “o Capital” de Marx, mas proibiu à publicação de Leviatã de Hobbes, a censura controlava também a imprensa. Os investimentos capitalistas não apresentavam ameaça para a monarquia, com a revolução do proletariado os grandes capitalistas se mostraram a favor da monarquia como Doroselle declara em seu livro A Europa de 1815 aos nossos dias: “Clemenceau e Churchill foram então favoráveis à intervenção indireta, pela ajuda aos russos brancos, Koltchak, Denikine e Wrangel.” DUROSELLE (1973, p. 81).

Durante séculos o campesinato se organizava por meios das comunas, os sovietes seguiram pelo mesmo caminho formando grupos para representação entre os operários, a diferença estava na luta por uma representação política e de ação no governo para alterem sua condição de explorados e com as constantes perdas nos frontes causadas pela política governamental. A resposta para as violências sofridas durante os séculos de monarquia se deu durante a revolução com a mesma força e violência armada, pois sabiam com que tipo de inimigo estavam lidando e com isso a revolução russa se tornou também uma disputa militar. A esperança da grande maioria da população campesina em obter a reforma agrária e assim obter sua própria terra aliada a esperança do operário de obter melhores condições de trabalho e representação política, ambas as esperanças se apresentaram possíveis pelos discursos inflamados dos revolucionários e de Lênin que se tornaria mais que um líder político, mas também um símbolo de esperança para uma nação a séculos explorada pela nobreza, um símbolo de libertação da opressão monárquica e de um futuro com melhores oportunidades.

Durante o prefacio da Revolução Russa eis que chega Lênin que desembarcaria na Rússia com as 10 teses que dizimaria as confianças na burguesia e expressava a vontade de revolução que contaminaria os bolcheviques e membros do congresso dos sovietes no outubro Russo. As disposições da revolução convocava a revolta armada, a luta pela revolução, pelo controle dos meios de produção aos trabalhadores, Lênin figurava como a vontade em pessoa para a que população a séculos sobre a opressão dos Czares e sua política regida pela policia e pelo exercito, exercito este que também chegaria ao esgotamento nas lutas nas colônias asiáticas e durante primeira guerra mundial, muitos regimentos entravam na luta revolucionaria com a proposta democrática no exercito e de auxilio as suas famílias e a população tomava as ruas das cidades clamando poder aos sovietes, a revolta se seguiam armada e sempre eram lembradas aos manifestantes que deveriam estar armados, pois era clara que a resistência contra a revolução que seria armada como sempre foi as reações monarquistas como confirma Trotsky em seu livro a História da Revolução Russa sobre as manifestações antes de julho de 1917, “Sim, e como fazer de outro modo? É claro que ninguém vai, desarmado, expor-se aos golpes dos adversários.” Trotsky (1967, p. 431).

BIBLIOGRAFIA

MARQUES, Adhemar; BERUTTI, Flávio; FARIA, Ricardo. (2ª Ed.) História contemporânea através de textos. São Paulo: Contexto, 1991.

FALCON, Francisco; MOURA, Gerson. (12ª Ed.) A formação do mundo contemporâneo. Rio de Janeiro: Campus, 1989.

DUROSELLE, J. B. (2ªEd.) A Europa de 1815 aos nossos dias. São Paulo: Livraria Pioneira Editora, 1973.

TRAGTENBERG, Mauricio. A revolução Russa (Discutindo a História). São Paulo: Atual, 1991.

TROTSKY, Leon. A História da revolução Russa. Rio de Janeiro: Saga, 1967.

GENRO, Tarso. O Leninismo como raiz da crise socialista: <http://www.tarsogenro.com.br/artigos/fullnews.php?id=81>. Acesso em 27 de setembro de 2009 22:35:21.

REED, JOHN. 10 dias que abalaram o mundo. São Paulo: Global Editora, 1978.