A ESCRITA E O ESCRIBA DO EGITO ANTIGO
Não há
evidencias de escolas no Antigo Império, exceto na corte, provavelmente
os professores eram os pais que ensinavam os filhos e outros aprendizes
privilegiados. No decorrer do Médio Império, aparece a expressão “Casa
de Instrução” o que provavelmente seria o que chamamos de escola. Somente
depois do Novo Império, começam a aparecerem dados sobre a idade dos
alunos, currículos e dados didáticos. A partir da 11° a 12° dinastias, cerca de
2130-1786 a.C o uso do livro de texto tornando-se cada vez mais freqüente.
O aprendiz
ingressava com quatro anos onde saia com dezesseis e com apenas o titulo
simples de escriba.
Exercícios em ostracas
(pedaços de calcário ou cerâmica), contem enumerações de partes do corpo, de
países estrangeiros, de festas religiosas, cópias de textos clássicos e sua
transcrição para a língua vulgar. Depois os alunos passavam ao exercício de
composição e tinham acesso a cartas privadas e administrativas, finalmente aos
textos religiosos, em particular os de rezas a Thot, deus da sabedoria, o qual
era invocado no inicio de cada lição e nas horas de angústia.
Após certo
tempo, os estudantes alcançavam os textos literários, os de sabedoria e
finalizavam copiando os romances e os contos de ficção.
Quando o
escriba cometia um erro ele apagava com a língua, pois a tinta era com base em
carvão, mas parece ter havido um pedaço de pano para isso.
Quando
escreviam em um papiro sob a forma de rolos, os Egípcios sempre sentavam, essa
é aposição que aparece nas estátuas dos escribas, na posição agachada o escriba
esticava sua tanga para que ela oferecesse um suporte firme. Nessa posição, ele
segurava na mão esquerda o rolo do qual ia puxando um pedaço de comprimento
suficiente para escrever, com a mão direita, da direita para a esquerda, a
paleta ficava no chão ao seu lado ou a sua frente e muitas vezes ele guardava
seus pinceis atrás da orelha direita.
Durante a XII
Dinastia uma mudança da linha vertical para a horizontal aconteceu, talvez pela
facilidade de borrar ao escrever, ambas as direções passaram a ser usadas e até
no mesmo manuscrito. Com exceção dos textos religiosos e do Livro dos Mortos
eram escritos até o fim em linhas verticais da esquerda para a direita.
No decorrer da
décima oitava XVIII dinastia, aparece na escrita Egípcia a expressão “Kap”
referente a uma parte do palácio que poderia ser como uma escola maternal onde
filhos de governantes estrangeiros eram atendidos.
O ensino no
Egito não era feito apenas para a formação de escribas. Eram necessários
professores nos palácios reais para príncipes e princesas, para os filhos de
monarcas estrangeiros que lá iam estudar. Além da escrita, eles tinham que conhecer as leis,
saber calcular impostos e ter noções de aritmética.
Os templos, de
outras partes demandavam os escribas versados nas ciências sagradas, que
pudessem interpretar os velhos livros canônicos, para compor novos, formular as
legendas que deveriam ser grafadas nas muralhas dos santuários ou no pedestal
das estatuas.
Por essas
razões nos palácios e templos tinham nas suas dependências que antigos textos
denominavam como Casa da Vida, quer dizer, um lugar onde se ensinava a ler, a escrever,
além de literatura e ciências.
Os estudantes
que faziam sua formação nas escolas do palácio saiam com o titulo de escriba do
Rei, e os dos templos eram denominados os escribas de Deus. Os escribas
possuíam um pictograma próprio, representado pela paleta. Lê-se sech (sš), (escrever), e faz parte das
palavras relacionadas com arquivos, impostos e tributos.
sš
– Pictograma de escriba.
Não havia
lugar especifico na burocracia para as meninas, mas há indícios de que
Meritaten e Mekataten, filhas de Akhenaton, possuíam essas habilidades.
Também na
vasta coleção de ostracas, oriundas da Vila de Deir el Medina, algumas
testemunham que mulheres e familiares dos trabalhadores eventualmente também
aprendiam a ler e a escrever.
Os escribas
eram os únicos profissionais que eram reconhecidos como maduros, no momento em
que assumia seu primeiro trabalho independente, talvez pela capacitação e pela
responsabilidade exigidas à atividade.
A formação do escriba foi se tornando mais longa e
complexo, na medida em que eles precisaram aprender além da hieroglífica, a
escrita hierática, uma forma cursiva de grafar aqueles signos, empregada para a
redação em papiros. Os gregos denominavam de escrita dos sacerdotes, porque era
muito usada para textos religiosos. Em 700 a.C, foi criada ainda um terceiro
tipo de escrita, a partir de 332 a.C, com a conquista do Egito por Alexandre da
Macedônia, a língua grega foi sendo imposta na região. Os egípcios continuaram
a falar sua própria língua mas cada vez menos, porque toda atividade
administrativa e pública passou a ser conforme se passaram os séculos e as
gerações, a antiga língua egípcia foi se modificando. Os falantes, para
facilitar o registro lingüístico, adotaram o alfabeto grego e sete caracteres
da escrita demótica, criando sua quarta escrita e uma nova linguagem a cóptica.
ESCRITA
Em 1779 foi
descoberta na pequena vila de Rashid, no delta ocidental por Pierre François
Bouchard membro dos exércitos de Napoleão que trouxeram do Egito a pedra de
Roseta onde estava gravado um texto em três línguas o grego, hieróglifos e
demótico.
Em 1807, Champollion a partir dos nomes próprios do
texto grego, ele comparou os outros dois textos até descobrir certas
semelhanças, quatorze anos depois, o professor dispunha de algumas chaves para
entender o enigma: enfim, a pedra da Roseta e as inscrições de outros
monumentos egípcios já não continuam mais em segredo.
A escrita serve para representar sentimentos, como
ódio ou amor, ou ações como amar e sofrer, os egípcios desenhavam objetos cujas
palavras que os designavam tinham sons semelhantes aos das palavras que os
hieróglifos se referiam a algo concreto, havia um sinal vertical ao lado de
cada figura. Se referentes a algo abstrato, havia o desenho de um rolo de
papiro. Se correspondessem à determinada pessoa, os hieróglifos traziam sempre
a imagem de uma figura feminina ou masculina, mostravam um pequeno sol. Para
completar a confusão, os hieróglifos podiam ser escritos da direita para a
esquerda ou vice-versa a ordem certa, em cada caso, dependia da direção dos
olhos das figuras humanas ou dos pássaros representados.
As estelas
Muitas das
estelas encontradas no Egito são de caráter funerário, nelas aparecem
uma representação iconográfica e textos, as principais estelas começaram a
aparecer na I Dinastia. Elas fornecem a identificação do morto, isto é seu nome
e os seus títulos ou cargos. A formula hotep di nesu. Pretende que o rei
interceda junto ao deus para que o morto alcance o seu propósito. Começa: “Uma
oferenda que o rei outorga...”, seguindo-se o nome do deus invocado, quem
visitasse o túmulo devia recitá-la, para que a mensagem da estela se tornasse
realidade. Também há estelas votivas que também trata de temas
religiosos, costumava ser colocada em lugares sagrados como Abidos, comemorativas:
anunciavam ao povo feitos vitoriosos do faraó ou atos que podiam angariar o
carinho ou admiração popular por ele e as estelas limítrofes, as mais
conhecidas são as que demarcavam o território da cidade de Akhetaton, fundada
por Akhenaton.
Papiro
Hierático
Como os documentos administrativos eram ditados as
pressas, foi necessário criar um sistema que simplificasse a caligrafia
hieroglífica sofisticada, recorrendo a relações. A grafia hierática era
habitualmente desenhada com um pincel e escrita da direita para esquerda, em
uma composição de colunas ou linhas, segundo os períodos.
A escrita sagrada
Os
hieróglifos como signos sagrados foram utilizados para adornar alguns
sarcófagos. Assim, além da função decorativa, formava inscrições com poder
mágico, atribuição que os egípcios conferiam às palavras.
Os
hieróglifos enchiam as paredes dos templos, narrando as façanhas dos faraós e
dos deuses. Embora os signos fosse uma representação da realidade, para muitos
egípcios o seu significado real era incompreensível.
As cartelas do faraó
A cartela era
um laço que protegia o nomen e o praenomen do faraó. O nomen é o quinto titulo
do protocolo faraônico, designa o faraó como filho de Rá, e é o segundo que
aparece nas cartelas. O praenomen é o quarto titulo o de rei do Alto e baixo
Egito, e o primeiro nome na cartela. O selo de um faraó tinha uma ou varias
cartelas. Assim o objeto selado era distintivo da administração do respectivo
faraó.
O alfabeto
A escrita
egípcia, oriunda de uma família lingüística diferente da nossa, é muito
complexa e tem muitos signos. Por isso, os egiptólogos, para facilitar a
tradução, adaptaram 24 deles para formarem o equivalente ao nosso alfabeto.
Tal como outras
línguas, o primeiro passo da escrita egípcia foi a representação daquilo que
era visto, se desenhava uma boca quando pretendia escrever a palavra “boca”,
assim apareceram os ideogramas. Contudo,
logo surgiu um problema: como escrever palavras que se referiam a idéias ou
conceitos abstratos? Então tiveram a grande idéia de esvaziar de significado a
maioria dos ideogramas e atribuir-lhes valor fonético. Se com o símbolo da
“boca” se dizia r, esse signo não reapresentaria mais a boca e sim o som r.
Assim permitia por exemplo escrever a palavra “nome” que em egípcio se dizia
rn, com a união dos signos “boca” r + “água” n = rn.
Os signos mais simples chamam-se unilíteros e equivalem a um som. Os bilíteros equivalem a dois sons e são em maior quantidade do
que os unilíteros, embora muitos possam ser escritos com apenas unilíteros. Por
ultimo, existem trilíteros que
equivalem a três sons, estes não são em grande numero e na maior parte das
vezes se encontra junto com fonogramas unilíteros chamados de complementos
fonéticos que assegurava a pronuncia correta
das palavras repetindo o ultimo son. Além dos complementos fonéticos existia os
signos determinativos que não tinham
valor fonético e garantia o significado correto pois algumas palavras eram homófonas, pronunciava-se da mesma maneira mas tinham
significados diferentes
LITERATURA EGÍPCIA
Os textos das
pirâmides, elaborados no Antigo Império, são considerados os mais antigos
escritos do mundo. Seu entendimento não é fácil; destinavam-se a uso litúrgico
e constituem-se de fórmulas mágicas, religiosas e também de orações:
"Se
levante, oh, uns. Agarra sua cabeça e junta seus ossos. Une seus membros e
sacode o pó das carnes. Leva seu pão, que nunca lançará para perder, e sua
cerveja que nunca ficará azeda, e fica antes da entrada que exclui as pessoas
comuns. O guardião da porta sai a seu encontro. O leva de mão e te conduz ao
céu". (Textos das Pirâmides)
No Médio
Império, extensas inscrições eram transcritas diretamente nos ataúdes onde as
múmias eram encerradas. Os temas chamados textos dos sarcófagos são
equivalentes aos das pirâmides, constituindo-se de fórmulas para o defunto
alcançar a imortalidade.
Com as mesmas
finalidades, surgiam - no período do Novo Império - os chamados livros dos
mortos, que apresentam semelhanças com os textos dos sarcófagos.
Os livros dos mortos
Colocados
junto às múmias, escritos em papiros, os livros dos mortos incluem fórmulas
religiosas que deveriam ser lidas diante do tribunal de Osíris. Geralmente, esses
antigos documentos incluem uma "confissão positiva":
"Não
causei sofrimento aos homens. Não usei de violência para com minha parentela.
Não substituí a injustiça na justiça. Não freqüentei os maus. Não cometi
crimes. Não permiti que trabalhassem para mim em excesso. Não fomentei intrigas
por ambição. Não maltratei meus servidores. Não blasfemei contra os deuses. Não
privei o indigente de sua subsistência. Não cometi atos detestados pelos
deuses"...
"Não
levantei a mão sobre o homem de humilde condição. Não fiz chorar. Não fiz
ninguém sofrer. Não tirei o leite da boca das criaturas"... (Jean-Marc
Brissaud: François Daumas).
BIBLIOGRAFIA
BAKOS, Margarete Marchiori. Origens do ensino. EDIPUCRS
www.rincondelvago.com - Libro de los Muertos, Colección Clásicos del Pensamiento, Editorial TECNOS - 1993, 2ª Ed
Revista Egito Mania, O fascinante mundo do Antigo Egito N°s: 04,15, 26, 34. Editora PLANETA
www.rincondelvago.com - Libro de los Muertos, Colección Clásicos del Pensamiento, Editorial TECNOS - 1993, 2ª Ed
Revista Egito Mania, O fascinante mundo do Antigo Egito N°s: 04,15, 26, 34. Editora PLANETA



Muito bom, me ajudou bastante!
ResponderExcluirMuito bom, me ajudou bastante!
ResponderExcluirque texto enriquecedor! Gratidão!
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