sexta-feira, 3 de maio de 2013

DO FUTEBOL AO COMBATE A GUERRILHA


DO FUTEBOL AO COMBATE A GUERRILHA

          Nunca em uma nação um esporte foi tão importante e fonte de discussão em meio à política e amor a pátria. Na conjuntura do Brasil no ano de 1970 onde a Seleção Brasileira disputaria o titulo mundial de futebol e o titulo de maior campeão de futebol de todas as copas contra a Itália, em jogo mais que um titulo, uma janela para o mundo de como o Brasil era, um pais de pessoas alegres, criativos e vitoriosos.

Enquanto o Brasil se encaminhava para a vitória no Futebol sua democracia estava em plana estagnação, certos setores da população se encontravam em um conflito em seus corações, o amor pela Seleção de Futebol e a atual situação de repressão sobre a democracia.

Entre as pessoas que tentavam não torcer para a Seleção estavam em uma grande parte da classe média, burguesia e estudantes universitários, contraditório pois estas classes sociais foram as mais privilegiadas neste período de regime militar. Aqueles que se opunham contra a Seleção Brasileira viam a vitória da Seleção Canarinho como a vitória do Governo Militar.

Na Copa do Mundo de Futebol se tornou o auge das frases ufanistas como “para Frente Brasil”, “Ninguém mais segura este Brasil” e marchinhas cantando um Brasil de todos e vencedor. A Seleção Brasileira se tornou um símbolo de vitória do governo Médici, que como a maioria dos homens brasileiros era amante do esporte e não realizou poucos esforços para se usar da imagem vitoriosa da Seleção Brasileira de Futebol, mas contra a partida se aplicava o “milagre Econômico” para poucos e a forte repressão aos opositores do governo militar.

Dentro das resistência mais ousadas e radicais estavam grupos de militantes políticos de esquerda ligados a teoria marxista, estudantes universitários, membros da classe média, burguesia e membros das forças militares. Antes da entrada do Governo Médici havia iniciado uma nova tática de guerrilha onde a presença na mídia se fez inevitável, o seqüestro de embaixadores como o caso do embaixador estadunidense Elbrick para se utilizar de moeda de troca na soltura de companheiros guerrilheiros presos pelo governo.

Com o Governo Médici em ação, a caçada aos guerrilheiros se estabeleceu de forma muito eficaz. Dentro dos casos mais famosos se encontrava o Guerrilheiro de origem militar que liderava a REDE (Resistência Democrática) o “Bacuri”, Eduardo Leite era soldado do exercito. Bacuri foi preso no Rio de Janeiro e depois levado até são Paulo para o DEOPS, sua prisão envolveu agentes infiltrados e a equipe do famigerado Fleury, conhecido por seus métodos extremamente violentos. A pos dias de tortura sem ceder informações, Bacuri teve sua morte anunciada no Jornal a Folha da Tarde antes mesmo de seu assassinato, com sua morte já justificada pelo jornal onde declarou que havia sido morto em um tiroteio, sua tortura seguiu ao ponto de arrancarem suas orelhas, olhos e queimarem seu corpo.

As ferramentas do Governo de luta contra as resistências armadas foi extremamente eficaz, os principais lideres estavam sendo presos e executados, Carlos Marighela e Joaquim Câmara Ferreira foram capturados e mortos entre outubro de 1970. Para as Guerrilhas urbanas o assalto a banco para realizar desapropriações para manter a resistência não se apresentava para a população mais do que assaltantes de banco e isso alimentava a propaganda contra a resistência armada e a marginalização dos guerrilheiros.

A ultima grande resistência armada contra o golpe militar se localizou no interior da Baiha, a guerrilha em Buriti Cristalino contava com Carlos Lamarca, ex soldado e campeão de tiro que aplicava treinamento para civis se defenderem contra a “violência da Guerrilha”, mas que na verdade se tornara um dos mais conhecidos lideres da resistência que foi acompanhado pela sua esposa Lara Lavalberg que não era a única presença feminina em resistências armadas como esta. Com Lamarca prestando assistência técnica a resistência provocou a ira das forças militares, a população do pequeno lugarejo foi interrogada sem deixar de passar pelos abusos das torturas em alguns casos liderados pelo próprio Freury, nesta operação as forças policiais, do Exercito, aeronáutica e marinha forma utilizadas. Havia discussão até mesmo pelo nome da operação que se aplicariam contra Lamarca que culminaria com seu assassinato em 17 de setembro em uma emboscada, a priori se chamaria “Calabar” para fazer uma ligação ao Português que acabou ficando do lado dos Holandeses na retomada de Recife pelos Português, mas a missão acabou por ficar com o nome de uma praia de alagoas que era favorita de Cerqueira.

Dentro da luta do Araguaia a luta foi organizada por membros do PC do B com cerca de 69 militantes, liderados pelo segundo-tenente do exercito Osvaldo Orlando Costa, Paulo Mendes Rodrigues e pelo médico Gaúcho João Carlos Sobrinho.

Dentro das operações de combate a resistência no Araguaia os órgãos federais mais uma vez baixou todo seu aparato de combate contra os subversivos da região do Araguaia e mais uma vez aplicando torturas violentas sob comando do general Antonio Bandeira. Mesmo com todo o cerco com aproximadamente 12 mil homens a guerrilha resistiu por 4 anos, chegando somente ao publico em 1978, antes somente uma pequena citação no jornal Estado de São Paulo em Setembro de 1972. A guerrilha no Araguaia permaneceu de 1970 a 1974 com a morte de Osvaldão (Osvaldo Orlando Costa) e a guerrilha foi exterminada, entre os membros se encontra José Genuíno que mais tarde participaria de forma efetiva na política brasileira através do PT, sendo eleito deputado federal e mais tarde envolvido nos escândalos de desvio de verbas conhecido como “mensalão”.

           Com a eximia determinação do governo Médici a guerrilha foi quase completamente vencida, mas a resistência política continuava e a abertura democrática se faria tardar, mas seria finalmente vista por muitos dos guerrilheiros e opositores dos governos militares que sobreviveram as torturas e ao exílio podendo finalmente retornar ao Brasil com uma possibilidade de liberdade política e de expressão mais real.
Por Jeberson Rodrigues
 
                                   REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FAUSTO, Boris, História do Brasil, FDE,São Paulo, 2001.

Coleção Caros Amigos, A ditadura Militar no Brasil,Fascículos quinzenais, 2007.

HISTORIA DA VIDA PRIVADA NO BRASIL - VOL. 4 - CONTRASTES DA INTIMIDADE CONTEMPORANEA, Organizador SCHWARCZ, LILIA MORITZ - Editora: COMPANHIA DAS LETRAS - Edição: 1ª EDICAO – 1998

Resenha do Artigo - Aguardente de cana e outras aguardentes: por uma história da produção e do consumo de licores na América portuguesa


OS LICORES E OS PROCESSOS DE FABRICAÇÃO NA AMÉRICA PORTUGUESA:

             O autor inicia por uma busca por onde se iniciou os processos de fabricação dos licores e da cachaça e quem eram os responsáveis. Aos licores a responsabilidade da produção e desenvolvimento das receitas eram atribuídas aos doceiros entre os séculos XVII e XVIII. Talvez os portugueses considerassem um doce em forma de bebida, o seu processo era respeitado com uma receita culinária.
            O autor do Manual do destilador (C.J) de 1883, aponta o licor como uma bebida tônica para melhorar o bem-estar das famílias que trabalhavam na horticultura, este “bem-estar” poderia ser usado para aumentar as horas de trabalho destes horticultores ou simplesmente para relaxar depois do trabalho, o autor não nos revela a verdadeira intenção por falta de fontes, por não se tratar de seu ponto de vista ou o próprio autor do manual não se faz esclarecer.  Anterior ao Manual do Destilador o Traité des Aliments de Louis Lemery (1705) os licores e aguardentes eram obtidos de diferentes materiais, como os indianos que fabricavam bebidas a partir do arroz, tâmaras e suco de ervas. Em lugares de produção de açúcar se retiravam a partir da destilação da cana-de-açúcar que se chamava Rum segundo Louis Lemery.

            Luís da Câmara Cascudo dedicou um livro com muitas referencias sobre a cachaça ou o que Louis Lemery chamou de Rum. Uma das referencias que Luís da Câmara nos revela é que o termo cachaça surgiu no Brasil para designar a bebida obtida da cana-de-açúcar, melaço ou do caldo. De acordo com Luís da Câmara Cascudo a cachaça portuguesa do século XVI era uma aguardente obtida a partir das borras das uvas, conhecida hoje como bagaceira. O Rum era o nome utilizado nas colônias inglesas para designar o “vinho obtido da cana-de-açúcar”, segundo Tousanit-Samat(1982) era uma derivação de mambullion ou mambustion, termos do dialeto crioulo de Barbados.

            A partir dos inventários da época o autor nos revela a existência de alambiques de barro ou cobre, dependendo das posses e sofisticação do fabricante em São Paulo e Santana do Paraíba do século XVII.  As aguardentes e licores eram fabricados a partir da destilação ou fermentação na América portuguesa, foram os portugueses que introduziram a técnica de destilação na região, os indígenas criavam suas aguardentes a partir da fermentação da mandioca, milho, caju e outros, já na África a palmeira de dendê, milhos ou infusões de sementes eram usadas para obter aguardente. Em obras como o “Manual do Destillador” recomendava-se o processo de destilação quente, pois o processo frio causava dores de cabeça.

            Alguns depoimentos de viajantes como o de Saint-Hilare sobre sua viagem ao Rio de Janeiro e Minas em 1817, ele comenta que a população era na sua maioria formada por pobres apesar da riqueza da terra e que apreciavam a aguardente de cana (cachaça), dos escravos a elite branca. O consumo era maior dentro da classe pobre formada principalmente por negros livres ou escravos sem distinção de sexo. Em outra observação do viajante, referindo-se aos fazendeiros dos arredores de Guanhões, sobre a preferência da produção da aguardente ao invés da produção do melaço por causa do grande consumo dos negros empregados no distrito visinho, Diamantina. Os viajantes Leithold e Rango na visita ao Rio de Janeiro em 1819, consideravam a cachaça de gosto ruim e mais forte que a aguardente de trigo.

            Há perguntas que o autor nos traz que os relatos de viajantes não podem nos responder sozinhos como: Quem estava envolvido na produção, distribuição, consumo e qual era o espaço em que a cachaça circulava na sociedade? O uso da fontes como: inventários, registros de escritura doméstica, correspondências oficiais e a legislação da época poderiam servir de fontes alternativas segundo o autor.

            Em meados do século XVII, Johann Nieuhof relatou o gosto dos índios pela cachaça, mas não era permitido a eles levar para a aldeia para evitar embriagues. Isso mostra uma tentativa de controlar o consumo dos indígenas, mas também uma forma de criar uma dependência da distribuição impedindo a formação de um estoque e usar isso para influenciar os indígenas para contribuírem de acordo com a vontade dos portugueses. Saint-Hilaire diz que os índios são apaixonados pela aguardente e que insistiam em mais doses depois da primeira, Ave-Lallemam que esteve no Brasil cinqüenta anos depois de Saint-Hilaire utilizava a cachaça para manter o interesse dos índios no trabalho, já João Mauricio Regendas que esteve no Brasil entre 1825 e 1830, também associava a cachaça com as classes pobres e como um remédio para as pessoas que consumiam milho, feijão e carne-seca consideradas por Regendas como alimentos pesados e nocivos.

            Estes relatos nos indica o consumo da cachaça como alimento básico e diário das classes menos favorecidas enquanto os mais abonados a utilizavam como aperitivo, o grande numero de vendas com pouco recurso mostrava ser sua principal função na venda de cachaça e um local de socialização como observados por Saint-Hilaire. Costumes mantidos até os dias de hoje no século XXI. Já outros viajantes como George Gardner também observou o consumo da cachaça por grande parte das mulheres das classes menos favorecidas, já Tschudi nos relata o consumo dos escravos, que compravam a aguardente de forma ilegal utilizando dinheiro ganho com trabalhos avulsos. A cachaça oferecia um complemento alimentar (pelo seu teor calórico) para os pobres e uma bebida “espirituosa”, ou seja, alcoólica.

            Aos fazendeiros ou abastados o consumo da aguardente era na forma de aperitivo ou após o jantar, utilizando e fabricando licores finos e de outros sabores como laranja, caju e abacaxi. Uma prática persistente até os nossos dias é oferecer este tipo de bebida as visitas e amigos como um fazendeiro dos arredores do Rio de Janeiro ofereceu a John Mawe.

No período colonial eram constantes as referencias sobre o consumo excessivo de cachaça nas classes desfavorecidas, negros livres ou escravos, onde membros da igreja e da elite branca impunham trabalho aos escravos nos domingos e feriados para evitar o ócio e as bebedeiras das festas. A embriagues aparece também nos registros da policia do Rio de Janeiro do século XIX, onde eram registrados o fato do africano ou afro-descendente ter sido prezo por desordem e bebendo. O mesmo se seguia nos hospitais da Misericórdia com registros sobre os males causados pela bebida.

A produção de cachaça era usada como moeda de troca no tráfico de escravos e seu consumo era expansivo atingindo até as terras portuguesas na Europa  que acabou por ser proibida duas vezes. Em 1649 até 1661 limitou-se a produção em todo o estado do Brasil e proibiu-se a produção do “vinho de mel”, já em 1690 D. Pedro II de Portugal proíbe o envio para Angola, mas é revogada com a descoberta do ouro.

Entre os relatos dos viajantes que passaram pelo Brasil e as fontes analisadas pelo autor, mostra claramente a discriminação de classes sociais e o preconceito com o negro e o índio. Existe também a diferença da cachaça e do modo como é tratado aquele que exagera no consumo, quando o branco fica bêbado ele simplesmente exagerou um pouco e quando o negro fica bêbado ele é vagabundo. Sobre a bebida (cachaça) podemos tirar algumas conclusões como: a fabricação era em grande escala em relação a população de maioria escravos e escravos libertos que eram os maiores consumidores, o preço devia ser baixo, pois fazia parte da alimentação básica do pobre e escravo, a cachaça mais refinada era de consumo das elites brancas, as vendas faziam ponto de encontro para a socialização da população regada com aguardente, o vicio do álcool  nas classes menos favorecidas poderia ser causada pela vida de sofrimentos e fome, causando um desgosto pela vida e se utilizando da cachaça para aliviar o profundo descontentamento e assim  levando ao alcoolismo.    

 
BIBLIOGRAFIA

ALGRANTI, Leila Mezan. Aguardente de cana e outras aguardentes: por uma história da produção e do consumo de licores na América portuguesa. VENÂNCIO, Renato Pinho; CARNEIRO, Henrique. (orgs.). Álcool e drogas na história do Brasil. São Paulo: Alameda, Belo Horizonte: PUCMinas, 2005.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Tucídides – Guerra do Peloponeso

Tucídides (455-395 a.C) inaugura a historiografia científica restringido a observação.
A guerra do Peloponeso cai na análise atenta de Tucídides que procura entender o choque das duas potências, Esparta e Atenas através de motivos exclusivamente históricos.
Pela explicação de Tucídides, Atenas só desenvolveu-se graças a pobreza do solo que não atraiu invasores e dando tempo para o desenvolvimento ateniense.
Após as guerras pérsicas Atenas transformou em domínios os estados aliados, esse engrandecimento trouxe prejuízos comerciais a Corinto que não podendo enfrentar Atenas tentou obter a aliança de Esparta, relutante porque temia uma revolta das populações subjugadas em seu próprio território. Abstendo-se do conflito, perderia a liderança sobre os estados do continente, assim viu-se forçada a entrar numa guerra que poderia arruinar definitivamente.
Em Atenas as pressões também eram grandes, Córcira, rebelada contra Corinto pede auxilio a potência naval, Atenas não podia negar socorro a ilha que dominava a rota da rica Sicília e Córcia passou a integrar o império Ateniense. Potidéia, estado satélite de Atenas, rebelou-se com a ajuda de Corinto e estabelecendo nova área de conflito. Platéia, cidade aliada de Atenas, atacada por Tebas, ampliou as hostilidades até chegar ao ponto do exercito espartano invadir Ática e desencadeando as guerra.
Tucídides mostra que a guerra foi inevitável, liberto da cumplicidade com a metafísica ou o mito mas a idéia do destino implacável permanece. A culpa não é aplicada por Tucídides em Esparta ou Atenas do desastre. Em mais de um lugar, desaprova os recursos da poesia por não prenderem aos fatos e por terem em vista provocar encanto sem cuidados pela análise. Em lugar do processo associativo de seu antecessor, investiga as causas, elimina episódios que não lhe dizem respeito, submete-se a rigorosa seqüência cronológica, relatando o desenvolvimento da guerra ano por ano.
Os discursos de Tucídides são construções literárias impessoais, habilmente elaboradas e rigorosamente ligados a seqüência dos fatos com acabamento artístico na argumentação e nos efeitos retóricos e atentos aos atualizados preceitos sofistas.
Em geral Esparta levou vantagem em terra, por muitos anos Atenas conseguiu conter Esparta e seus aliados graças a sua superioridade no mar, mas levados pelo ambicioso Alcebíades que os levou na tentativa de conquistar Sicília e acabou em desastre diante de Siracusa.
Em 405 a.C, a principal esquadra ateniense foi surpreendida e destruída nos Dardanelos, bloqueada por terra e por mar Atenas caia em 404 e se tornava aliada de Esparta, o general espartano Lisandro foi o chefe do império Ateniense e tratou-a duramente. Assim terminava a guerra do Peloponeso que durou vinte e sete anos (431+404 a,C).
Tucídides demonstra sua preocupação em revelar o que realmente havia acontecido e para isso se dispôs a ouvir e analisar varias fontes que muitas vezes possuíam pontos de vistas diferentes, além da preocupação com a verdade ele nos revela seu interesse de criar um documento de estudo mesmo que isso não agrade o grande público, sendo que suas narrativas não eram tão fantásticas como as de Homero.
Ele queria deixar um documento para quem tivesse interesse ou para quem pudesse ter interesse futuramente, talvez Tucídides não imaginaria que seus relatos pudessem perdurar por tantos anos como durou e ainda persiste e além de seus relatos, sua linha de pesquisa, em busca da verdade dos acontecimentos passados que hoje é uma das bases primordiais para um historiador.
Podemos ver algumas dessas preocupações neste trecho escrito por Tucídides:
“Pelo que se refere aos fatos, não me baseei no dizer do primeiro que chegou ou nas minhas impressões pessoais; não narrei senão aqueles de que eu próprio fui espectador ou sobre os quais obtive informações precisas e de inteira exatidão. Ora, eu tinha dificuldade em conseguir isso, porque as testemunhas oculares nem sempre estavam de acordo sobre o mesmo acontecimento e variavam segundo as suas simpatias ou a fidelidade de sua memória.
Talvez as minhas narrativas, despidas do prestígio das fábulas, perderão o seu interesse; basta-me que sejam consideradas úteis a quem quer que deseje fazer uma idéia justa das coisas e prejulgar os incidentes mais ou menos semelhantes, cuja volta o jogo das paixões humanas deve levar á repetição. Eu quis legar à posteridade um documento a consultar sempre e não oferecer um fragmento de ostentação a ouvintes de um instante” (Tucídides, 1, 22, segundo Glotz, Lectures hitoriques, Hachette, ed.)


Bibliografia
J. Isaac / A. Alba. História Universal - Oriente e Grécia
Editora Mestre Jou
Donaldo Schüler. Literatura Grega
Editora Mercado Aberto

quarta-feira, 4 de maio de 2011

E.U.A na América Latina

Dentro dos projetos de expansão norte-americana estava a forma de vida e preceitos religiosos e de liberdade dos EUA, onde se pode observar o fator dos estadunidenses se auto imbuir da missão de civilizar o mundo como a nação escolhida por Deus, a visão da América Latina como quintal e como tal deve estar na forma como bem lhes deseja fizeram com que EUA interviessem de forma direta nas decisões das nações da América principalmente na América central.

As políticas norte-americanas passavam pela forma violenta como pela forma mais pacifica, porem de forma a manter o domínio sobre os latinos. A ultima colônia da Espanha na América estava ao lado dos EUA, Cuba importante região do Caribe que dispunha grande fonte de produção de açúcar para os norte-americanos, com o inicio das taxações aduaneiras impostas pela Espanha, as oligarquias cubanas aplicaram uma revolta, pois atrapalhavam seu comercio com os “irmãos” norte-americanos, prontamente os EUA sobe pretexto do ataque ao USS Maine, navio de guerra Estadunidense, interveio nesse conflito de interesses, aplicando uma guerra contra a Espanha, aproveitando a situação aplicou a guerra na colônia hispânica nas Filipinas, onde ocorreram mais tarde revoltas contra os EUA para uma republica Filipina. Com a vitória esmagadora sobre a Espanha, Cuba se tornou um protetorado Norte-americano, com clausula na constituição Cubana permitindo a intervenção dos EUA em qualquer situação que o Governo dos EUA julgasse necessária, a Espanha receberia uma quantia de cerca de 20 milhões de dólares pela perca das Filipinas, o julgo norte americano se estendeu até o Havaí que se tornaria um estado dos EUA, paises como Porto Rico e Haiti se tornaria protetorados Norte-americanos.

Em 1903 se iniciaria a se tornar realidade o sonho de criar um canal de ligamento inter-oceânico entre o pacifico e o atlântico, sonho esse cobiçado pela Inglaterra, porem conquistado pelos EUA, a Colômbia por sua vez não concordava com as condições impostas, com o apoio estadunidense a aos investidores franceses na construção do canal do Panamá, a região se separou da Colômbia e entregou os direitos de exploração e criação do canal para os EUA durante 100 e recebeu o apoio dos EUA contra qualquer investida contra o país recém criado. Sobe a forma do Big Stick com intervenções militares diretas ou pela diplomacia do dólar que se utilizava de investimentos econômicos para manter seus interesses na América movidos pela sua “missão” de civilizar, salvar e libertar o mundo os EUA não mediram forças ou métodos para isso, mas sempre encontravam pessoas como José Martí em Cuba que procuravam abrir os olhos da população e do mundo para o açoite aplicado pelos norte-americanos sobre outras nações. A Europa não deixava por menos com a exploração das infra-estruturas necessárias e tão mal fundadas nas nações Latino Americanas com suas empresas que se tornavam verdadeiros enclaves que buscavam o lucro sem limites, para os EUA as empresas de sua nação formavam verdadeiras formas de aplicar influencias sobre as nações latinas, contudo estas políticas formavam reações contrarias que resultavam em movimentos anti-imperialista e pró socialistas por toda América Latina.


Bibliografia

Karnal, Leandro : História dos Estados Unidos: das Origens ao Século XX.

Wasselman, Claudia: História contemporânea da América latina.

AO ENCONTRO DA REVOLUÇÃO RUSSA

Inicio do século XX a História proporcionou um episódio que abalou o mundo com sugere o historiador e espectador da Revolução Russa John Reed, mas como uma nação muda de opinião sobre os tais acontecimentos que alterariam completamente o modo de vida e governo desta? Para uma sociedade açoitada constantemente pelos mandos e desmandos da corroa Russa, a liberdade e possibilidade de obter terras para a própria produção era um sonho que tomaria toda Rússia destratada e sem oportunidade. O campesinato estava livre da corvéia que lhes era imposto pela tradição do servo desde os meios do século XVIII, porem essa mudança foi gradual, mas o tratamento para a população do campo continuava próxima a do servil pelo tratamento dos grandes latifundiários e mantidos na miséria constante. Para a burguesia russa que se constituía por grande parte da indústria do algodão com descreve Mauricio Tragtenbergem A Revolução Russa.

Entre a burguesia russa, os novos industriais do algodão representam a nata da nova classe; seus filhos formam-se em universidades, viajam ao exterior, conhecem o Frances (língua da cultura) e o alemão (língua comercial) e estagiam em fábricas suíças ou Inglesas. (TRAGTENBERG, 1991, p. 60).

Mas o preparo das novas gerações de burgueses não chegaram a tempo para obter uma liderança consistente e representação diante a nobreza como aconteceu em outras nações que passaram da monarquia para a democracia burguesa. Com uma burguesia latifundiária e exploradora dentro das fábricas e sem representação real no governo não haveria como conseguir apoio conciso dos trabalhadores rurais e operários.

Enquanto os planos de expansão do império no oriente eram travados pelas tropas japonesas o povo russo via seus compatriotas morrendo nas trincheiras no oriente os operários realizavam a revolução de 1905 com uma organização semelhante as comunas do meio rural, os sovietes, para manterá unidade dos trabalhadores das fábricas durante os movimentos para melhores condições de trabalho e representatividade no governo, os sovietes foram criados para reunir um conselho assim se mantendo organizados e unidos de forma democrática. Contudo em 1905 já não bastando as perdas nos campos de batalha um manifestação pacifica se transforma em um massacre de inocentes proporcionado pelo governo monarca, as indignações dentro da população se incendiavam e a governabilidade se tronaria cada vez mais difícil a pondo do governo proporcionar um parlamento (Duma) que logo seria desmantelado.

O governo manteve a Duma, mas com caráter consultivo e subordinada a ele. Ao lado da prisão de militantes dos partidos esquerdistas, o governo permitia, dentro de certos limites, a propaganda eleitoral dos partidos políticos. (TRAGTENBERG, 1991, p. 72-73).

A falta de representação, opressão violenta e inconseqüente já seriam motivos óbvios para uma revolta como à séculos viam acontecendo desde o período medieval. Uma população de séculos de império resistia as mudanças vindas do ocidente, mas seria impossível ficar aparte de tamanhas alterações e com os movimentos de 1905 proporcionaram a criação de partidos de oposição que alterariam a estrutura política da nação, contudo a resistência da monarquia se estabelecia a força e a custo do sangue do campesinato e dos operários. Com a explosão da primeira guerra mundial a revolução russa ganharia um catalisador com as perdas e a miséria proporcionada pela guerra e assim marcando um fim próximo de um império.

É notório que a revolução russa se trata de acontecimento intrincado e muito complexo com fatores que primeiramente destruíram a confiança na monarquia e a imagem do monarca como representante de Deus na Terra o mesmo monarca se atribuía esta condição e considerava-se no direito de exercer seu poder em sua terra e súditos, poder este que não era mais aceito e sim questionado. A censura no império por motivos desconhecidos, não proibiu “o Capital” de Marx, mas proibiu à publicação de Leviatã de Hobbes, a censura controlava também a imprensa. Os investimentos capitalistas não apresentavam ameaça para a monarquia, com a revolução do proletariado os grandes capitalistas se mostraram a favor da monarquia como Doroselle declara em seu livro A Europa de 1815 aos nossos dias: “Clemenceau e Churchill foram então favoráveis à intervenção indireta, pela ajuda aos russos brancos, Koltchak, Denikine e Wrangel.” DUROSELLE (1973, p. 81).

Durante séculos o campesinato se organizava por meios das comunas, os sovietes seguiram pelo mesmo caminho formando grupos para representação entre os operários, a diferença estava na luta por uma representação política e de ação no governo para alterem sua condição de explorados e com as constantes perdas nos frontes causadas pela política governamental. A resposta para as violências sofridas durante os séculos de monarquia se deu durante a revolução com a mesma força e violência armada, pois sabiam com que tipo de inimigo estavam lidando e com isso a revolução russa se tornou também uma disputa militar. A esperança da grande maioria da população campesina em obter a reforma agrária e assim obter sua própria terra aliada a esperança do operário de obter melhores condições de trabalho e representação política, ambas as esperanças se apresentaram possíveis pelos discursos inflamados dos revolucionários e de Lênin que se tornaria mais que um líder político, mas também um símbolo de esperança para uma nação a séculos explorada pela nobreza, um símbolo de libertação da opressão monárquica e de um futuro com melhores oportunidades.

Durante o prefacio da Revolução Russa eis que chega Lênin que desembarcaria na Rússia com as 10 teses que dizimaria as confianças na burguesia e expressava a vontade de revolução que contaminaria os bolcheviques e membros do congresso dos sovietes no outubro Russo. As disposições da revolução convocava a revolta armada, a luta pela revolução, pelo controle dos meios de produção aos trabalhadores, Lênin figurava como a vontade em pessoa para a que população a séculos sobre a opressão dos Czares e sua política regida pela policia e pelo exercito, exercito este que também chegaria ao esgotamento nas lutas nas colônias asiáticas e durante primeira guerra mundial, muitos regimentos entravam na luta revolucionaria com a proposta democrática no exercito e de auxilio as suas famílias e a população tomava as ruas das cidades clamando poder aos sovietes, a revolta se seguiam armada e sempre eram lembradas aos manifestantes que deveriam estar armados, pois era clara que a resistência contra a revolução que seria armada como sempre foi as reações monarquistas como confirma Trotsky em seu livro a História da Revolução Russa sobre as manifestações antes de julho de 1917, “Sim, e como fazer de outro modo? É claro que ninguém vai, desarmado, expor-se aos golpes dos adversários.” Trotsky (1967, p. 431).

BIBLIOGRAFIA

MARQUES, Adhemar; BERUTTI, Flávio; FARIA, Ricardo. (2ª Ed.) História contemporânea através de textos. São Paulo: Contexto, 1991.

FALCON, Francisco; MOURA, Gerson. (12ª Ed.) A formação do mundo contemporâneo. Rio de Janeiro: Campus, 1989.

DUROSELLE, J. B. (2ªEd.) A Europa de 1815 aos nossos dias. São Paulo: Livraria Pioneira Editora, 1973.

TRAGTENBERG, Mauricio. A revolução Russa (Discutindo a História). São Paulo: Atual, 1991.

TROTSKY, Leon. A História da revolução Russa. Rio de Janeiro: Saga, 1967.

GENRO, Tarso. O Leninismo como raiz da crise socialista: <http://www.tarsogenro.com.br/artigos/fullnews.php?id=81>. Acesso em 27 de setembro de 2009 22:35:21.

REED, JOHN. 10 dias que abalaram o mundo. São Paulo: Global Editora, 1978.

sábado, 19 de março de 2011

Resumo sobre Revoluções no Ocidente

Revolução?

Ato ou efeito de revolver (-se) ou revolucionar(-se); revolvimento. 2. Mudança violenta nas instituições políticas de uma nação. 3. Perturbação moral; indignação, agitação. 4. Transformação natural da superfície do globo. 5. Rotação em torno de um eixo imóvel. 6. Volta, rotação, giro. 7. Perturbação, agitação. 8. Desvio no modo de considerar assuntos relativos a um ramo qualquer do pensamento humano.

Revoluções do mundo Ocidental

  • Renascimento, Humanismo e Iluminismo (Sec. XVI – XVIII)
  • Revolução Inglesa (Séc XVII)
  • Revolução Industrial (Séc. XVIII – XIX)
  • Revolução Norte Americana (1775-1783)
  • Revolução Francesa (1789)
  • Revolução Russa (1917)
  • Revolução Cubana (1959)

Renascimento, Humanismo e Iluminismo (Sec. XVI – XVIII)

  • Inicio da ascensão da burguesia.
  • Renascimento, novos meios de ver a natureza, redescobrimento das artes antigas(greco-romana). Desenvolvimento da química, matemática e astronomia.
  • Humanismo aponta o homem como o centro do universo, possuidor do livre-arbítrio. Valorização da razão.
  • Iluminismo a partir do sec. XVII pregava a secularização do conhecimento, utilização da razão para explicar os fenômenos vividos pelo homem, ideal de progresso e contrapõem os valores da tradição.

Revolução Inglesa (Séc XVII)

  • Mercantilismo: A riqueza de uma Nação é medida pela quantidade de metais preciosos que consegue manter dentro de suas fronteiras.
  • Carta Magna(1215), dentro do séc. XIII é criada o parlamento, formada pelo clero, nobreza e burguesia, as principais decições deviam passar pelo parlamento e possuiam o poder de destituir o rei.
  • Evolução política diferenciada desde a Baixa Idade Média. – Rei manteve poder de grande senhor feudal; Dinastia Tudor: Henrique VIII e Elizabete I – absolutismo favorecido pela Reforma.
  • Transformações econômicas beneficiavam a monarquia mas reforçavam as classes sociais capitalistas que ao fim irão questionar o absolutismo.
  • Morte de Elizabete (1603)– última dos Tudor – sobe ao trono Jaime I, iniciador da dinastia Stuart. Diferente dos Tudor procuravam sustentar seu poder na teoria do direito divino = conseguir a unidade religiosa.
  • Buscavam a ampliação dos recursos financeiros = aumento de impostos – o que contraditava com princípios do século XIII, reforçados com o individualismo econômico e religioso. Desde o governo de Jaime I os ânimos se acirravam, mas foi no de Carlos IV que tudo explodiu. Por discórdias sobre a guerra com a França, o rei dissolveu o Parlamento (11 anos sem atuar).
  • Governo de Cromewll, apos decapitação do Rei Carlos I em 1649, de 1653 até sua morte em 1658 com um governo ditatorial. Seu filho Ricardo assumiu, mas governou por 2 anos, 1660 restauraram o regime monárquico com um novo parlamento.
  • O Rei Carlos II(1660-1685) e após dele Jaime II(1685-1688) tentaram restabelecer o poder da monarquia, o parlamento reagiu e entregou o reinado ao Guilherme de Orange, esposo de Maria II filha de Jaime II, Guilherme assumiu com Guilherme III e jurou a Declaração dos Direitos(1689) formando uma monarquia constitucional.

Revolução Industrial (Séc. XVIII – XIX)

  • Iniciaria com a grandiosa expansão comercial marítima Britânica para o mundo, exploração dos mercados coloniais
  • Utilização de maquinários para a produção como maquinas a vapor rudimentares.
  • Expansão comercial marítima
  • Produção com objetivo de lucro, acumulo de capital.
  • Expansão urbana, trabalho assalariado.
  • Investimento em infra estrutura de transporte

Revolução Norte Americana? (1775-1783)

  • Revolução ou Guerra de Independência? as estruturas de poder colonial permaneceram, assim não podemos chamar de revolução, os colonos que detinham o poder nas 13 colônias permanecem e ampliam esse poder.
  • 1720- Carta ao rei informando os abusos ocorridos na colônia.
  • Primeiro ministro Grenville(1763) cria exercito permanente para defesa e controle das colônias, inicia a aplicação dos impostos alfandegários (1764 - Lei do açúcar).
  • Falta de representação no Parlamento
  • 1765 – lei do Selo, imposto sobre documentação oficial, foi revogada após o congresso em nova York que reafirmava a lealdade ao rei.
  • 1767 – Carlos Townshend, chanceler do tesouro Britanico aplicou o Revenue Act(lei da receita), taxas sobre o chá, papel, tinta, vidro e outras manufaturas.
  • Os norte-americanos reivindicavam sua próprias assembléias.
  • 1768 – Agressões a funcionários da alfândegalevaram Boston recebe navios e tropas de guerra para estabelecer o controle dos impostos alfandegários,.
  • 1770 – em Março 5 bostonianos foram mortos pelos tropas britânicas (o massacre de Boston).
  • 1774 – George Washington lamenta as medidas britânicas: “A crise é chegada”, escreveu ele, “em que devemos afirmar nossos direitos, ou submeter-nos a todas as imposições que podem cair sobre nós, até que o costume e o habito façam de nós escravos dóceis e abjetos, como os negros sobre os quais imperamos com tão arbitrária autoridade.”
  • 1774 – o Porto de Boston foi fechado até se restabelecer a disciplina, foram proibidas as reuniões publicas nas cidades.
  • 1779 – 4 de julho é declarada a Independência dos E.U.A.
  • 1789 – Constituição é Aplicada, criado o cargo de presidente.

Revolução Francesa (1789)

  • Fim do estado absolutista / fim da monarquia
  • Separação do estado e da Igreja
  • Educação Laica
  • A França se encontrava em uma situação atípica na produção com muita seca, altos níveis de pobreza e impostos.
  • Em Agosto de 1789 a assembléia aprovou os direitos do homem e do cidadão (Déclaration des droits de l’homme et du citoyen).
  • A população saqueava os bens do clero e dos nobres pelo pais.
  • Entre 1791 a 1793 os camponeses realizaram muitos levantes contra a nobreza por ocasião dos direitos sobre a terra que os camponeses não conseguiam pagar.
  • 14 de julho de 1789 cai a Bastilha, castelo-prisão foi destruída pela população.
  • 1790 transformaram o clero em funcionários do estado.
  • A França declararia a Republica em 21 de setembro de 1792, sua política ficou dividida em cordeliers(independentes), fevillants , girondinos(maioria e representantes da alta burguesia), jacobinos liderados por Robespierre (representantes da pequena e media burguesia).
  • Até 1794 a frança mergulharia em um governo do terror, até um dos maiores lideres, Robespierre ser condenado a guilhotina. Inicia novo período de disputas nas eleições entre os partidos.
  • 1798 os jacobinos voltam a vencer as eleições.
  • 1799 a pedido dos girondinos Napoleão sai do Egito rumo a França para instalar um governo Autoritário e de política expansionista apoiado pela alta burguesia.

Revolução Russa (1917)

  • Maior parte da população formada por camponeses
  • Nobreza governa com mão de ferro.
  • Pequena burguesia da industria de Algodão.
  • Governo controla os principais meios da infra estrutura.
  • Expansão para a Ásia, derrotas para o Japão nas colônias asiáticas.
  • 1905 organização dos Sovietes pelos trabalhadores das fábricas e o massacre de manifestantes que solicitavam melhor condições de trabalho.
  • Criada a Duma(parlamento), mas acabou sendo somente figurativo.
  • Os Russos possuíam a experiência das comunas com a camada camponesa.
  • 1914 a 1917 as perdas territoriais para a Alemanha na 1º Guerra Mundial enfraqueciam a governabilidade do Governo monárquico.
  • Lênin voltaria antes do inicio da primeira guerra mundial como uma figura de forte influencia política com a população, se fortaleceria após a união com Trotsky líder militar e político.

Revolução Cubana (1959)

  • Baixa representação política pela população
  • Ditadura de direita - Fulgêncio Batista
  • Sob julgo do Governo Norte Americano
  • Exploração Norte americana por meio das empresas Estadunidenses como United Fruit , Shell, Exxon e Texaco.
  • Revolta popular e militar por lideranças de Fidel Castro e Ernesto Guevara.
  • Criação de cooperativas e distribuição de terra.
  • Bloqueio comercial por parte dos Estados Unidos e de todos os outros governos da América(com exceção do Chile até o inicio da ditadura chilena com Pinochet)
  • Aproximação com a União Soviética e Implantação de um regime Comunista ditatorial.

Revolução Cubana

Ao fim da década de 50, Cuba encontrava-se em um regime ditatorial sob comando de Fulgêncio Batista que era grande aliado do governo dos Estados Unidos da América, o governo Cubano além de corrupto criava facilitações aos trustes Norte Americanos. Em 1956 o exército rebelde promoveu a expedição do Granma que acabou por implantar um centro de atividades guerrilheiras em Sierra Maestra, durante o ano de 1957 os revolucionários tiveram varias batalhas que os consolidaram politicamente e militarmente.

Durante as incursões vitoriosas do exercito revolucionário as terras do território libertado eram desapropriadas e distribuíam para os camponeses, além da distribuição das terras aplicavam assistência técnica para a agricultura, educação e saúde. Nos anos entre 1958 e 1959 iniciava o programa de reformas com confiscos de propriedades de Batista e de seus aliados Norte Americanos, distribuição de terras de forma individual ou formando cooperativas, limitando a posse de terras, decretando a redução dos alugueis urbanos, das tarifas publicas e uma reforma monetária que anulou os capitais que haviam sido retirados para o exterior.

O governo dos Estados Unidos não deixaria por menos, pois a revolução cubana atacava as empresas Norte Americanas, como a grande United Fruit cujo suas terras foram desapropriadas e como retaliação Norte Americana ocorreram sabotagens no Porto de Havana enquanto que a nacionalização da telefonia foi respondida com incêndios nos canaviais cubanos realizados pela aviação dos E.U.A. A cada ação tomada pelo governo revolucionário atingia a exploração que os Estados Unidos praticava na ilha, as ações revolucionarias também não eram aprovadas pela burguesia que via sua hegemonia quebrada.

As hostilidades não se realizavam somente pelo fogo das armas, mas também no setor econômico, os Estados Unidos cortou o fornecimento de petróleo e a recusa das refinarias Norte Americanas de processar o petróleo Soviético levou o Governo de Fidel Castro a promover a nacionalização de empresas como Shell, Exxon e Texaco, além de bancos e outras empresas estrangeiras. Desde a organização do núcleo militar revolucionário que Fidel Castro desempenhou exilado no México em 1954 até a nacionalização do setor petrolífero de Cuba o segundo pior golpe realizado pelo governo Norte Americano à economia cubana seguiu após a ação de Fidel de nacionalizar as refinarias de petróleo que ocasionou o cancelamento da compra da cota de cana de açúcar, deixando Cuba sem combustível e sem seu principal produto de exportação.

Cuba encontrava-se em uma condição desfavorável porem possuía o apoio de grande contingente de camponeses, mas o governo necessitava de novos apoios econômicos que chegariam com a ajuda de Ernesto Guevara no inicio de 1961 que aproximou Cuba com a União Soviética. Agora Cuba possuía um poderoso aliado que garantia a compra da cota de cana de açúcar como o abastecimento de petróleo. Os Estados Unidos promoveu a ruptura de relações com Cuba e apoiou de maneira mais intensiva as forças contra-revolucionarias, alguns inicialmente pertenciam à revolução como Hubert Mattos, pecuarista que não aceitou a reforma agrária.

As tentativas de intervenção Norte Americanas ocorriam por meios de atentados e sabotagens e forneceram apoio aéreo a um efetivo de mais de mil soldados formados por exilados cubanos e mercenários que desembarcaram em Playa Girón na Baia dos Porcos em abril de 1961 com a pretensão de derrubar o governo revolucionário, mas foi derrotado graças à ajuda popular em três dias. A derrota fez com que os E.U.A pressionasse os paises da América Latina a decretarem um bloqueio continental na reunião da Organização do Estados Americanos em 1962 o que demonstrou a preocupação dos E.U.A com possíveis influências revolucionarias por toda América.

O estreitamento com a União Soviética trouxe mísseis nucleares para Cuba em uma tentativa de proteção contra uma possível intervenção direta do Exercito Norte Americano, entre um possível choque entre as duas potencias surge o acordo de que a União Soviética retiraria seus mísseis e os Estados Unidos não invadiria Cuba. A revolução Cubana abriu uma ferida no orgulho Norte Americano pelo fato de ter ocorrido no seu visinho e “colônia açucareira”, abrindo a chance de inspirar possíveis reivindicações em outros paises da América contra o imperialismo Norte Americano que resultou na implantação das ditaduras por toda a América Latina apoiados pelos E.U.A como medida preventiva.

Bibliografia

AUGUSTO, César, GUAZZELLI, Barcellos. História Contemporânea da América Latina 1960-1990 – Editora UFRGS, 2004

Tradução de Antonio José Massano. Edição original Comitê central do Partido Comunista de Cuba. Os Camponeses cubanos e a revolução – La Habana 1973.– distribuição: ULMEIRO.

FERNANDES, Florestan. Da Guerrilha ao socialismo: A revolução Cubana – Editora T. A. Queiroz, Editor, LTDA - 1979